O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, é estritamente apegado ao protocolo, e sempre está de terno e gravata onde deve e inclusive onde não deveria usá-lo.
Apesar disto, durante uma visita a Londres, em 2006, Lula se negou a usar o fraque e se apresentou de terno e gravata no Palácio de Buckingham para um banquete com Elizabeth II.
Já o ex-bispo Fernando Lugo, que assumirá como novo presidente do Paraguai nesta sexta-feira, é adepto da informalidade, que tem variantes "étnicas", "ideológicas" e outras baseadas no conforto e na rejeição ao convencional.
As presidentes Cristina Fernández de Kirchner, da Argentina, e Michelle Bachelet, do Chile - a segunda mais tradicional que a primeira quanto ao modo de se vestir -, gozam de maior liberdade por serem mulheres.
Sem nunca ter feito parte do poder, o escritor colombiano Gabriel García Márquez pode ser considerado um pioneiro desta tendência, por ter recebido o Prêmio Nobel em 1982 vestido com "liqui-liqui" (roupa tradicional colombiana), um traje de linho branco típico do Caribe colombiano, em vez do tradicional fraque.
Lugo já anunciou que não usará gravata na cerimônia e que só se fizer frio trocará suas freqüentes sandálias - simples chinelos em algumas ocasiões - por sapatos.
O ex-bispo de San Pedro segue os passos do boliviano Evo Morales, o primeiro presidente indígena de seu país, que não usou gravata nem no dia de sua posse nem em visitas oficiais a outros países e criou tendência no modo de se vestir.
Morales usou em sua posse, em janeiro de 2005, uma jaqueta escura original sem lapelas e rematada com "aguayo" (tecido costurado à mão pelos povos aimará e quíchua), que combinou com uma camisa branca com o primeiro botão desabotoado.
Em atividades menos formais, sua vestimenta costuma ser composta por calças jeans, camisas de manga curta e pelo seu famoso "poncho" (pulôver, jersey ou suéter) tricolor.
Já o presidente equatoriano, Rafael Correa, não ousou tanto. Ele assumiu trajando um terno escuro, sem gravata e com uma camisa branca de gola redonda adornada com figuras das culturas indígenas de seu país que está se transformando em sua marca.
Outro chefe de Estado avesso às gravatas é o nicaragüense Daniel Ortega, que se distinguiu por usar no dia de sua posse uma camisa branca de manga longa arregaçada, que praticamente se tornou sua vestimenta habitual.
Além de Evo Morales, também recorreram aos chapéus e ponchos alguns governantes como o da Colômbia, Álvaro Uribe, que utiliza um de palha "aguadeño" (do povo de Aguadas) e carrega no ombro um poncho típico de Antioquia, sua região natal, durante suas reuniões em províncias nos fins de semana.
Já o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, chegou à sua posse, em 27 de janeiro de 2006, vestindo um terno formal, mas com seu costumeiro chapéu de cowboy, que só tirou da cabeça no exato momento em que recebeu a faixa presidencial.
O estilo cowboy foi trazido pelo mexicano Vicente Fox, que foi apelidado por alguns de "o presidente de botas", porque combinava esse tipo de calçado até com fraque.
Outros chefes de Estado também são conservadores no modo de vestir como o peruano Alan García, o mexicano Felipe Calderón e o dominicano Leonel Fernandéz.
Entretanto, o presidente da Venezuela, apesar de ser revolucionário e bolivariano, vestiu terno preto em todas as três vezes em que tomou posse (1999-2000-2006), mas em atos populares e comícios políticos usa camisa e a boina vermelha chavista.
A imagem do cubano Fidel Castro, já afastado do poder, está tão associada ao uniforme verde-oliva, mas que quando apareceu em 1994 em uma Cúpula Ibero-Americana com uma "guayabera" deixou de ser monocromático.
A primeira vez que apareceu em público vestido de civil em Cuba foi o 26 de junho de 1996 para receber o título doutor "honoris causa" de uma universidade japonesa.
Seu irmão, o general Raúl Castro, vestiu habitualmente seu uniforme militar durante quase meio século, mas desde que assumiu como presidente interino de Cuba, em 31 de julho de 2006, cada vez com mais freqüência veste terno e gravata, ou guayabera.
Durante seu discurso de posse, Raúl Castro, ao anunciar que deixava de ser ministro das Forças Armadas, advertiu que mantinha "o direito" de colocar "de vez em quando" seu uniforme.
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