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Guantánamo: condenado ex-motorista de Bin Laden

06 de agosto de 2008 11h39 atualizado às 19h21

Imagem artística mostra como foi o julgamento do ex-motorista de Osama bin Laden, Salim Hamdan, em Guantánamo . Foto: Reuters

Imagem artística mostra como foi o julgamento do ex-motorista de Osama bin Laden, Salim Hamdan, em Guantánamo
Foto: Reuters

Um júri formado por seis militares na base americana de Guantánamo, em Cuba, condenou nesta quarta-feira Salim Hamdan, ex-motorista do terrorista Osama bin Laden, por "apoio material ao terrorismo". O tribunal desconsiderou a acusação de "complô".

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Apesar de não ter sido condenado por todas as acusações que sofria, Hamdan, um iemenita de 40 anos, pode pegar prisão perpétua. A decisão foi tomada depois de três dias de análises realizadas pelos membros do júri, que foram selecionados pelo Pentágono.

Durante quinze dias de julgamento, os advogados de defesa, incluindo um militar, tentaram mostrar que seu cliente era apenas um funcionário trabalhando para ganhar a vida e não um militante da Al-Qaeda, como descreveu a acusação.

"Julgamento justo"

A Casa Branca imediatamente declarou que Salim Hamdam teve um julgamento justo. "Ficamos satisfeitos que Salim Hamdan tenha tido um julgamento justo", afirmou o porta-voz Tony Fratto. A posição é contestada pelos adovogados de defesa de Hamdan.

Os advogados de defesa afirmaram que a condenação era inevitável, pois o tribunal foi designado para "executar condenações". "Não sei se o júri pode fazer justiça para algo que já está decidido", disse Brian Mizer. Ao ouvir a decisão, Hamdan abaixou a cabeça e chorou.

Outro membro da defesa, Neal Katyal, havia entrado com um pedido pelo adiamento do processo, ao considerar "injusto" e "desonesto" que seu cliente fosse submetido a uma comissão militar. Um dos argumentos apresentados é o de que as acusações são "provas" obtidas à força.

Segudo ele, Hamdan passou por privação de sono, isolamento total e até torturas, como a de ser acordado pelos guardas a cada hora, durante 50 dias consecutivos, em 2003. "O interesse público exige que as comissões militares sejam detidas", insistiu a defesa.

O processo

Hamdan era acusado de "complô" e "apoio material ao terrorismo", além de ser suspeito de ter recebido treinamento em um campo da rede Al-Qaeda, no Afeganistão, e de ter distribuído armas nesse país. Ele é o primeiro "inimigo" da "guerra contra o terror" desde que Guantánamo foi inaugurada.

O processo de Hamdan foi o primeiro a ser realizado segundo os procedimentos de exceção estabelecidos após o 11 de Setembro. Embora tenham sido invalidados pela Suprema Corte em 2006, os tribunais foram restabelecidos poucos meses depois, e, desde então, submetidos a uma série de batalhas jurídicas que levaram a vários adiamentos do processo.

Capturado pelo exército afegão, em novembro de 2001, para depois ser entregue às Forças americanas, ele transportava, no momento de sua detenção, dois mísseis terra-ar na mala de seu carro, de acordo com a ata da acusação.

Com agências internacionais

Redação Terra