Farc anunciam que seguirão com luta armada

30 de julho de 2008 • 15h47 • atualizado às 15h58

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ignoraram o apelo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para que deponham as armas e anunciaram nesta quarta-feira que continuarão com a luta armada.

"Com (o presidente da Colômbia, Álvaro) Uribe a paz não é mais que uma quimera. A solução política ao conflito só é possível com outro Governo", afirmou o líder guerrilheiro Ivan Márquez, apelido de Luciano Marín, em uma entrevista à emissora Telesur.

"A luta armada não está em questão. As causas que a motivaram não mudaram", disse o alto comandante das Farc em um trecho da entrevista antecipado hoje.

Assim, Márquez, que faz parte do Secretariado das Farc e se reuniu em novembro com Chávez em Caracas, ignorou o pedido do chefe de Estado venezuelano para que o grupo guerrilheiro detenha a luta armada e liberte todos os reféns que mantém em cativeiro "em troca de nada".

Chávez reiterou nos últimos meses que "a guerra de guerrilhas faz parte da história", que o seqüestro é inadmissível como arma política e disse publicamente ao novo chefe das Farc, Alfonso Cano, que a existência da guerrilha era a desculpa dos Estados Unidos para "ameaçar" países como a Venezuela.

Márquez assegurou à Telesur que a nomeação de Cano como novo chefe máximo das Farc, em substituição a "Manuel Marulanda" ou Tirofijo, "implica na continuidade dos planos" da guerrilha mais antiga da América Latina.

Sobre a possibilidade de as Farc aceitarem o asilo político na França de combatentes presos em troca de libertar os reféns que mantêm em seu poder nas selvas colombianas, Márquez destacou que a sugestão "é uma afronta à dignidade dos guerrilheiros".

"Os verdadeiros combatentes não mudam as montanhas da pátria nem as convicções por um humilhante expatrio em ultramar", afirmou.

Ele também defendeu o seqüestro como via para conseguir a libertação dos guerrilheiros presos, ao afirmar que as Farc estão "em todo o seu direito de buscar por todos os meios a liberdade dos combatentes presos, tanto nas prisões do regime (Colômbia) quanto nas do império (EUA)".

Segundo Márquez, o sucesso da operação militar colombiana que libertou, em 2 de julho, a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, três americanos e 11 militares e policiais, se deveu à "traição" dos guerrilheiros que tinham sob custódia.

"Na pretensa operação, (o exército da Colômbia) só colocou os helicópteros, todo o trabalho foi realizado por dois traidores", afirmou o dirigente das Farc.

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