América Latina

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Quinta, 24 de julho de 2008, 10h16 Atualizada às 10h35

Cuba não deve explicação sobre base russa, diz Fidel

Cuba não precisa se explicar nem "pedir perdão" pelos rumores surgidos nesta semana na imprensa russa de que Moscou usaria a ilha comunista como base de reabastecimento para aviões militares, disse o dirigente Fidel Castro na quarta-feira.

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Em artigo publicado no site www.cubadebate.cu, o ex-presidente não esclareceu se os rumores são verdadeiros ou falsos. "Raúl (Castro, atual presidente e irmão de Fidel) fez muito bem em manter um silêncio digno", escreveu Fidel, 81 anos, que costuma publicar textos opinativos desde que deixou o poder, por motivos de saúde.

"Não é preciso dar explicações nem pedir desculpas ou perdão", acrescentou o veterano revolucionário.

Citando "uma fonte altamente posicionada", o jornal russo Izvestia disse nesta semana que a Rússia pode levar para Cuba seus bombardeiros supersônicos Tu-160 (os "Cisnes Brancos", com capacidade para transportar ogivas nucleares), em reação à eventual instalação de um escudo antimísseis dos EUA no Leste Europeu.

Na terça-feira. o brigadeiro norte-americano Norton Schwartz disse ao Senado dos EUA que a hipótese de reabastecimento dos bombardeiros russos em Cuba "indica que é algo que cruza um limite, cruza uma linha vermelha para os Estados Unidos da América".

As autoridades russas desmentiram a informação do Izvestia, mas o caso reavivou as lembranças da Crise dos Mísseis, em 1962, quando EUA e União Soviética estiveram à beira da Terceira Guerra Mundial devido à instalação de mísseis soviéticos na ilha, que fica a menos de 150 quilômetros da Flórida.

O então dirigente soviético, Nikita Khurschov, aceitou retirar os mísseis de Cuba depois que o governo de John Kennedy se comprometeu a nunca invadir Cuba e a tirar seus mísseis da Turquia.

Fidel disse que as declarações do brigadeiro Schwartz, que foi indicado para comandar a Força Aérea, são um exemplo da "estratégia maquiavélica que o império aplica a Cuba". "Se você disser que sim, eu te mato. Se disser que não, dá na mesma, te mato do mesmo jeito", escreveu ele.

Líder da revolução de 1959, que viria a instalar o comunismo em Cuba, Fidel governou o país até julho de 2006, quando se afastou devido a uma cirurgia intestinal e não foi mais visto em público. Em fevereiro desde ano, foi definitivamente substituído por Raúl na Presidência, mas mantém grande influência na estrutura do Partido Comunista e na sociedade como um todo, por intermédio dos seus artigos.

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