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Atualizada às 12h35
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Em discurso na cidade de Al-Fasher, Bashir acusou Ocampo de querer derrubar seu governo por ter pedido do governante por genocídio e crimes contra a humanidade. Trata-se da primeira visita de Bashir a essa região do oeste do país depois da acusação do promotor-chefe do TPI, há nove dias.
"Eu digo aos moradores de Darfur que vamos devolver a paz e a segurança a vocês", disse o presidente, em um discurso com o qual tentou limpar sua imagem em uma região onde já morreram mais de 300 mil pessoas em cinco anos de guerra.
"Vamos devolver aos desabrigados e aos refugiados serviços básicos como água, saúde e eletricidade", acrescentou Bashir em referência às 2,5 milhões de pessoas que foram obrigadas a deixar suas casas, segundo a ONU.
A imprensa sudanesa informou que a grande concentração de Al-Fasher, demonstração de força por parte de Bashir, é a maior na cidade desde o início do conflito, em janeiro de 2003.
Em cima de uma caminhonete e usando um bastão de comando, o presidente acusou Ocampo de "querer assustá-lo", como parte da estratégia dos países ocidentais para sabotar seus esforços pela paz em Darfur.
"Se Ocampo quer nos aterrorizar, diremos a ele que não nos prostramos perante mais ninguém que não seja Deus todo-poderoso", declarou Bashir em seu discurso, recheado de várias alusões religiosas.
No dia 14 de julho, o promotor-chefe expediu um mandado de prisão contra o presidente por genocídio e crimes contra a humanidade em Darfur, embora Bashir já tenha anunciado que não reconhece a autoridade do TPI e que não precisa se entregar.
"As forças que movem Ocampo tentam impedir que avancemos, obstruindo as eleições (previstas para o ano que vem) e sabotando os esforços para alcançar a paz em Darfur", disse Bashir no comício.
A visita do presidente a Darfur acontece em um momento de máxima tensão, apenas três semanas após o assassinato de sete membros da missão conjunta da União Africana (UA) e da ONU na região.
A acusação de Ocampo gerou repúdio dos países árabes do bloco, que transferiram a Bashir um plano conjunto par enfrentar a crise.
Embora os detalhes da iniciativa não tenham sido revelados, alguns meios de comunicação disseram que a Liga Árabe propôs a Bashir que os dois primeiros acusados de genocídio pelo TPI, o ex-vice-ministro do Interior Ahmed Haroun, e o líder das milícias Janjaweed, Ali Kushayb, sejam julgados em tribunais sudaneses.
Segundo disse ontem o secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, Bashir aceitou sua proposta, mas esse extremo ainda não foi confirmado em Cartum.
A ONU tem pedido reiteradamente a colaboração de Cartum com o TPI e, após os últimos acontecimentos, fontes do Conselho de Segurança disseram que a entrega de Haroun e Kushayb seria um gesto a favor de Bashir.
EFE
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