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Após ser detido na noite da segunda-feira pelas autoridades sérvias, Karadzic - que já afirmou algumas vezes que não reconhece o TPII - terá que se defender também de crimes como assassinatos, extermínio, cumplicidade com genocídio, perseguições, deportação e tomada de reféns.
Segundo o ata de acusação, Karadzic, que começou na política em 1990 como líder do Partido Democrático Sérvio, "planejou, instigou e ordenou a execução ou perseguição de muçulmanos bósnios, bósnio-croatas e outros não sérvios" em várias cidades, incluindo Srebrenica.
A promotoria sustenta que essas povoações foram vítimas de "tratamento desumano e torturas", além de "degradação e humilhação", especialmente nos centros de detenção, onde eram privados de alimentação, higiene e cuidados médicos necessários.
A acusação indica que Karadzic "sabia ou tinha razões para saber que as forças servo-bósnias sob sua direção e controle estavam cometendo" esse tipo de ato.
A acusação de genocídio se refere ao massacre de quase 8 mil muçulmanos homens em julho de 1995 em Srebrenica, protegido então por "capacetes azuis" holandeses.
O TPII e a Corte Internacional de Justiça, ambos com sede em Haia, constataram a execução desse crime em Srebrenica, que é a acusação mais grave contemplada nos estatutos do tribunal para a antiga Iugoslávia.
A responsabilidade individual por genocídio é muito difícil de demonstrar com provas conclusivas, porque fala da "intenção" de uma pessoa de destruir uma parte de uma população ou grupo.
A ata de acusação contra Karadzic indica que as forças servo-bósnias já haviam iniciado desde abril de 1992 uma "campanha de limpeza étnica" contra os muçulmanos bósnios.
Karadzic, que esteve foragido da Justiça durante 13 anos, também é acusado de ter ordenado a campanha de terror e os assassinatos, muitos deles com bombardeios indiscriminados e franco-atiradores, contra a população civil de Sarajevo, entre julho de 1991 e novembro de 1995.
Sobre a acusação de tomada de reféns, a ata de acusação sustenta que Karadzic "planejou, instigou e ordenou a tomada como reféns de observadores militares e "capacetes azuis" da ONU", após um ataque aéreo das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em 25 e 26 de maio de 1995.
A promotoria sustenta que as forças servo-bósnias tomaram como reféns cerca de 200 membros da ONU nas localidades de Pale e Sarajevo para evitar que os bombardeios da Otan atingissem localidades "de significância estratégica e militar".
A data da transferência de Karadzic a Haia ainda será determinada.
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