Sérvia: detido acusado de maior massacre após 2ª guerra

21 de julho de 2008 • 18h21 • atualizado em 23 de julho de 2008 às 10h36
Radovan Karadzic concede entrevista coletiva na cidade de Pale em junho de 1995
Radovan Karadzic concede entrevista coletiva na cidade de Pale em junho de 1995
21 de julho de 2008
AP

O ex-chefe militar sérvio-bósnio Radovan Karadzic, principal acusado pelo genocídio de Srebrenica, na Bósnia, que matou quase 8 mil pessoas em 1995, foi detido pelos serviços de segurança sérvios, anunciaram nesta segunda-feira os assessores do presidente sérvio, Boris Tadic. Após a prisão, Ratko Mladic, braço-direito de Karadzic, tornou-se o criminoso de guerra mais procurado do mundo.

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"Os serviços de segurança sérvios localizaram e prenderam Radovan Karadzic na noite desta segunda-feira", afirmou por e-mail a assessoria da presidência sérvia.

"Karadzic foi enviado ao procurador do tribunal para os crimes de guerra, em Belgrado, conforme o acordo assinado com o Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex-Iugoslávia", acrescentou.

O procurador do TPI para a ex-Iugoslávia, Serge Brammertz, confirmou em comunicado a detenção de Karadzic, foragido há quase 13 anos. "O procurador Serge Brammertz saúda a detenção de Radovan Karadzic", diz o comunicado do TPI.

Karadzic e seu braço direito, o militar Ratko Mladic, ainda foragido, são considerados os principais responsáveis pelo genocídio de Srebrenica, na Bósnia, que matou quase 8 mil pessoas em 1995. Trata-se do pior massacre perpetrado na Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Ele também era procurado por seu papel no cerco a Sarajevo, que durou 43 meses e no qual morreram 10 mil civis. Considerado um monstro pelos croatas e pelos muçulmanos da Bósnia, para os sérvios, ele continua a ser um herói da guerra que dilacerou a Bósnia, de 1992-1995, após a proclamação de sua independência.

Radovan Karadzic não ofereceu qualquer resistência e estava claramente deprimido, disse uma fonte ligada aos serviços secretos sérvios à AFP, acrescentando que o ex-dirigente foi levado a uma prisão de Belgrado.

Em uma nota, citada pela agência Beta, o Ministério sérvio do Interior revelou que "os membros do ministério não participaram da prisão de Radovan Karadzic". O TPI ainda procura dois fugitivos sérvios, Ratko Mladic e o ex-líder dos sérvios na Croácia Goran Hadzic.

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