"Pela primeira vez passamos a ser parte integrante de uma grande entidade supranacional que não é o resultado de uma guerra, mas surgiu com base no desejo de povos livres e de seus Estados democráticos", disse o ex-presidente checo Vaclav Havel.
O dramaturgo Havel reagiu assim ao ceticismo expressado ontem à noite por seu sucessor na presidência da República Checa, Vaclav Klaus, que advertiu que a partir de hoje seu país perde soberania e deixa de existir como entidade estatal independente.
As declarações de Havel fazem alusão a séculos de dramática história de seu povo e de seus vizinhos, cheia de sangrentos conflitos que desembocaram em ocupações e divisões.
Os húngaros, austríacos, checos, eslovacos, eslovenos e húngaros entraram no século passado unidos sob a coroa do antigo império austro-húngaro, cuja dissolução depois da I Guerra Mundial em 1918 significou o fim da velha Europa.
Os pequenos Estados surgidos da decomposição da monarquia dos Habsburgo foram incapazes de resistir à ocupação das tropas nazistas, se viram envolvidos na Segunda Guerra Mundial, e, depois, convertidos em satélites da ex-União Soviética.
Depois da queda da Cortina de Ferro em 1989, hoje são suspensas as fronteiras, as últimas barreiras que os separavam até ontem, um acontecimento comemorado pela maioria da população dos novos membros da União.
Em Budapeste, o bulevar Andrássy, rua que une o centro à Praça dos Heróis, mudou de nome só por este fim de semana, para se chamar bulevar da Europa.
Com várias manifestações culturais, entre elas um grande concerto intitulado "Ópera Europíssima" em Maribor, os eslovenos também comemoram sua conversão em membro de pleno direito da União, enquanto seus líderes políticos se reúnem com seus homólogos dos países vizinhos nas fronteiras comuns.
As comemorações se sucederam nas cidades mais importantes da Eslováquia, mas o ambiente foi menos eufórico que na Hungria e na República Checa.
O presidente do Parlamento eslovaco, Pavol Hrusovsky, opinou hoje que é mais apropriado manter uma atitude mesurada para o grande acontecimento histórico.
"Os cidadãos da Eslováquia vêem de forma muito realista sua entrada na UE. Vemos a integração como um ponto final de uma série de mudanças globais pelas quais passamos desde 1989 e nas quais também desempenhamoa um papel ativo", comentou hoje Hrusovsky.
Os fogos de artifício, a música e a festa não faltaram na República Checa, enquanto sua adesão também foi comemorada nas localidades fronteiriças de Retz e Znaim com "o café da manhã mais longo da Europa".
Os habitantes de ambas as cidades transformaram o posto fronteiriço de Mitterretzbach-Hnanice em um autêntico local de "picnic", com 150 mesas em ambos os lados da fronteira.
É apenas um exemplo dos inúmeros atos que se sucedem até amanhã ao longo de toda a fronteira austríaca com seus quatro vizinhos do leste, e nos quais participam cidadãos de outras partes do país, convidados pelos trens austríacos a viajar de graça até lá neste fim de semana.
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