"Tudo o que fizemos há 50 anos, particularmente na dimensão econômica e monetária da UE, irá se debilitar se não dotarmos a UE" de uma ação diplomática e de uma dimensão política e de defesa comum, declarou Barnier em uma entrevista à Rádio France Internationale (RFI).
O ministro frisou que isso não significa ir contra Washington: "Não tento ser europeu e promover o projeto europeu contra os Estados Unidos numa espécie de rivalidade com os EUA, que é nosso aliado e a maior potência do mundo, mas que não será eternamente a única potência".
Ele acrescentou que para ter peso entre as grandes potências, a Europa precisa estar unida, "porque nenhum de nossos países, nem mesmo Reino Unido, França e Alemanha, pode manter em equilíbrio essas potências".
O ministro francês destacou que os "EUA são nosso aliado de forma duradoura, definitiva (...). Mas aliança não é servidão, é um diálogo, uma associação equilibrada", e isso requer "que nos respeitem mais que agora, mas também depende de termos confiança em nós mesmos para nos dotarmos de uma política externa e de defesa".
Nesse sentido, disse que "a UE deve estar mais presente em alianças com outras potências mundiais", "falar com uma voz mais forte e mais comum", como está ocorrendo com o conflito do Oriente Médio.
No caso do Iraque, reconheceu que "é mais difícil" uma posição comum porque houve divisão desde o começo.
Quanto às vantagens da atual ampliação da UE para os franceses, falou de "uma maior estabilidade", de um mercado de maior dimensão - "o terceiro no mundo" - e, sobretudo, da redução dos riscos de instabilidade.
Barnier ressaltou que nem a democracia, nem a paz, nem os direitos humanos estão assegurados para sempre. Além disso, declarou que o sucesso do ingresso na UE de Espanha, Portugal, Grécia e Irlanda no passado mostro os logros que podem ser alcançados, já que "esses países progridem".
Barnier anunciou que tem a intenção de dedicar "tempo, talvez mais que os anteriores ministros de Assuntos Exteriores", para falar aos franceses e ouvi-los, já que "não se fala o suficiente de política externa, dos desafios europeus".

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