China

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Sábado, 19 de julho de 2008, 18h03 Atualizada às 18h30

China acusa dissidente de posse de segredos de Estado

O jornalista e dissidente chinês Huang Qi, detido em 10 de junho último em Xengdu, foi formalmente acusado pelo crime de "posse ilegal de segredos de Estado", informou a esposa Zeng Li neste sábado à AFP.

"Ontem à tarde, sua mãe foi à delegacia de polícia do distrito de Wuhou (Xengdu) que informou sobre sua detenção", disse ela por telefone.

"A mãe disse aos policiais que, uma vez emitida a ordem de prisão, eles deveriam deixá-lo ver um advogado. Mas os policiais disseram que não era possível e que ainda deverá permanecer incomunicável por dois meses", continuou.

O advogado de Huang Qi, Mo Shaoping, denunciou que essa medida "é contrária à lei", mesmo na China, segundo Zeng Li.

Huang Qi, 44 anos, que vive em Xengdu, capital de Sichuan (sudoeste), foi detido quando começou a apoiar os pais das crianças que morreram nas escolas da província durante o terremoto ocorrido recentemente e exigir explicações do governo.

Várias organizações de defesa dos direitos humanos acusaram o governo de fazer numerosas detenções de opositores nos últimos meses para evitar que possam perturbar os Jogos Olímpicos. O governo de Pequim nega tais acusações.

Huang Qi já esteve preso entre 2000 e 2005 por tentativa de subversão, depois que criara uma site na internet a favor da democracia, e no qual denunciou inúmeros casos de corrupção dentro do governo.

Também reivindicou a libertação dos militantes que participaram dos acontecimentos da Praça Tiananmen em 1989 e denunciou o desaparecimento de muitas crianças, seqüestradas por quadrilhas de traficantes de menores.

Huang Qi recebeu em 2004 o prêmio Cyber-Freedom da organização Repórteres Sem Fronteiras.

Depois de sair do cárcere, o jornalista reiniciou suas atividades e publicava suas matérias no site www.tianwang.com.

Huang Qi faz parte de uma lista de sete presos políticos chineses que o líder do grupo dos Verdes no Parlamento Europeu, Daniel Cohn-Bendit, enviou ao presidente francês Nicolas Sarkozy para que exija sua liberação durante a visita a Pequim para a abertura dos Jogos Olímpicos de 2008.

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