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Atualizada às 18h00
Sheryl Gay Stolberg
Agora, após uma ausência de dois anos, Gottesman retorna à Casa Branca com o ilustre título de chefe de gabinete adjunto, a responsabilidade de supervisionar operações do dia-a-dia e o salário anual de US$ 172 mil (como faltam seis meses para o fim do mandato de Bush, ele vai ganhar apenas metade disso). Tudo isso aos 28 anos.
Seu retorno, após concluir seu MBA na Harvard Business School (ele teve o raro privilégio de ser aceito, mesmo tendo largado a faculdade), permite um pequeno vislumbre da vida na Casa Branca nos últimos meses do governo Bush, um período em que preencher vagas fica difícil e jovens assessores recém-formados se deleitam com gordas promoções e vôos pelo mundo a bordo do avião presidencial.
"Os de 30 e poucos anos já foram embora, dando lugar para o pessoal de 20 anos e poucos anos," disse Paul C. Light, cientista político da Universidade de Nova York e autor de um livro recente sobre transições presidenciais. "É mais ou menos como um emprego de verão na faculdade".
É verdade que a Casa Branca reuniu nomes de peso e experiência durante o segundo mandato de Bush: Fred F. Fielding, advogado veterano, é agora advogado-geral da Casa Branca; Henry M. Paulson Jr., ex-executivo do banco Goldman Sachs, virou secretário do Tesouro; Ed Gillespie, lobista destacado, é atual conselheiro de Bush. Mas com apenas seis meses restantes para a posse do novo presidente, a Casa Branca entra em um período no qual, como num jogo de beisebol, se vê obrigada a escalar o time reserva.
Bush afirma que pretende manter o governo funcionando até o final. Isso significa tomar decisões sobre contratações e enviar nomeações ao Senado, mesmo quando há poucas chances de aprovação caso os democratas fiquem a cargo dessas nomeações.
Só na semana passada, a Casa Branca anunciou diversas mudanças de pessoal. Além de Gottesman, o presidente escolheu um novo advogado associado e um novo assistente especial para políticas domésticas, além de nomear um candidato para a direção da Administração de Rodovias Federais, Thomas J. Madison, que cuidava do setor de transportes do Estado de Nova York.
Bush também indicou nomes para comissões que quase ninguém conhece, como a que fiscaliza barreiras de acesso para deficientes físicos em prédios e veículos.
Para Gottesman, retornar à Casa Branca é um pouco como voltar para a casa. Ele conhece Bush desde o colégio, quando namorou sua filha, Jenna Bush. Aos 19 anos, largou a faculdade para se juntar à campanha de Bush de 2000. Ele foi recompensado com trabalho, primeiro como assessor pessoal do chefe de gabinete e, depois, do próprio presidente, emprego que manteve de 2002 a 2006, quando foi para Harvard.
Gottesman tem um profundo senso de lealdade à família Bush, fato que não passou despercebido por Joshua B. Bolten, chefe de gabinete da Casa Branca, que lhe pediu que substituísse o chefe de gabinete adjunto, Joe Hagin.
Como assessor de Bush, Gottesman acompanhou de perto o trabalho de Hagin, ganhando intimidade com os programas e as operações avançadas que agora vai supervisionar. Bolten disse que tinha diversas "boas opções," mas que Goldman era a melhor.
"Eu lhe disse que ele estava em situação privilegiada para cumprir muitas das responsabilidades que foram de Joe por oito anos e que tinha o respeito e a confiança de todos, desde a equipe até o presidente e a primeira-dama," Bolten disse, "e que a Casa Branca desses últimos seis meses será um lugar agitado que vai precisar de sua ajuda."
Bush não é o primeiro presidente a ter que lidar no final do segundo mandato com demissões de última hora, nem Gottesman o primeiro assessor pessoal a ser promovido a trabalhos mais importantes.
Krig Engskov, assessor pessoal do presidente Bill Clinton, é hoje, aos 36 anos, vice-presidente de operações da Starbucks. Engskov disse que seu trabalho foi um estudo de diplomacia, política e relações internacionais: "Eu vi tudo que o presidente viu, sem carregar o peso da responsabilidade."
Clinton, como Bush, também preencheu cargos na Casa Branca até o final de seu mandato; Jake Siewert foi nomeado porta-voz a cinco meses do término da presidência democrata. Ainda assim, promover empregados antigos é uma coisa, atrair novas pessoas para uma Casa Branca onde a maior tarefa talvez seja empacotar caixas é algo bem diferente.
"É uma oferta horrível," disse Light, o cientista político. "Você tem que chamar pessoas dispostas ou a lhe fazer um favor ou que vêem um prestígio tão grande no emprego que concordam em ficar apenas por seis meses só para dizer que fizeram parte de algo."
Tradução: Amy Traduções
The New York Times
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