Carolina Glycerio
Polônia
A partir do dia 1º de maio, no entanto, essas três regiões, cujo índice de padrão de vida é a metade da média do bloco, vão perder a posição de mais pobres para Lubelskie e Podkarpackie, ambas na Polônia. O polonês típico dessas áreas, essencialmente rurais, tem, em média, um poder de compra equivalente a menos de um terço da média européia ¿ e um nove avós da renda do abastado londrino.
De uma forma geral, os dez países que estão entrando na União Européia estão atrás dos atuais membros. Nove em cada dez regiões deles têm índices de padrão de vida inferiores à média do bloco e, somados, os seus PIBs (Produto Interno Bruto) não chegam ao da Holanda. "O que é característico da Polônia é que muita pobreza acontece nas áreas rurais, não temos favelas e miséria urbana como América Latina", afirma Jacek Kucharczyk, do Instituto de Assuntos Públicos, em Varsóvia.
Kucharczyk explica que, na transição do comunismo para o capitalismo, nos anos 90, não se investiu para transformar as ineficientes fazendas estatais em propriedades produtivas e viáveis. "Muito dinheiro foi investido para fazer a transição na indústria, mas não no campo."
Hoje, 40% da população polonesa ainda vive no campo. Embora tenha 27% da força de trabalho, o setor agrícola produz menos de 5% do PIB polonês. "Sobre uma coisa, não há dúvida: há gente demais tentando viver da agricultura, e as fazendas são pequenas demais na Polônia. Esse é o modelo tradicional que lentamente vai ter que mudar", afirma o historiador Jakub Basista, da Universidade de Jagiellon, em Cracóvia.
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