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Atualizada às 16h25
Deborah Solomon
NYT Magazine:
Como embaixador israelense à ONU, o senhor está a ponto de deixar o posto, depois de quase seis anos, e voltar a Tel Aviv, em um momento no qual o Irã vem divulgando fotografias retocadas de seus mais recentes testes de mísseis e continua a enriquecer urânio, desafiando as sanções da ONU. Até que ponto o senhor leva a sério as ameaças deles?
Dan Gillerman:
Escute Ahmadinejad. Ele nega o Holocausto, e está planejando o próximo, e fala sobre exterminar Israel - escute-o, e acredite nele.
NYT Magazine:
Mas e se for tudo blefe? Talvez ele seja apenas um baixinho que gosta de falar alto.
Dan Gillerman:
Por tempo demais, boa parte do mundo, incluindo Neville Chamberlain, acreditou que Hitler era só um baixinho maluco. Não creio que possamos correr esse risco de novo.
NYT Magazine:
Considerando a longa e ilustre história dos persas, não seria improvável que os iranianos um dia tomem atitudes irresponsáveis com armas nucleares?
Dan Gillerman:
O verdadeiro medo não é que os iranianos sejam loucos o bastante, ou estúpidos o bastante, para lançar um míssil contra Israel, mas sim que não se sintam impedidos de fornecer armas de destruição em massa a regimes renegados e organizações terroristas como o Hamas e o Hizbollah.
NYT Magazine:
O senhor recentemente chamou o ex-presidente Jimmy Carter de "fanático", depois que ele se encontrou com Khaled Meshal, o líder do Hamas. É verdade que o senhor recebeu uma reprimenda do Departamento de Estado norte-americano?
Dan Gillerman:
Não houve queixa ou reprimenda. As únicas reações que recebi foram muito positivas.
NYT Magazine:
O governo Bush não parece ter avançado muito no processo de paz do Oriente Médio. O senhor concorda?
Dan Gillerman:
Creio que a chave é o mundo árabe. A verdadeira tragédia dos palestinos é que eles não produziram um Nelson Mandela. A cada dia, muçulmanos matam muçulmanos, e não vemos um líder muçulmano que se erga para dizer ¿basta¿. É quase como se vivêssemos em um mundo no qual, se cristãos matam muçulmanos, é uma cruzada; se judeus matam muçulmanos, é um massacre; se muçulmanos matam muçulmanos, nada aconteceu. Ninguém liga.
NYT Magazine:
E Mahmoud Abbas, o líder da Autoridade Palestina, que impressiona pela moderação?
Dan Gillerman:
Não digo que Abbas seja um Mandela. Mas pelo menos ele está disposto a conversar, e o mundo árabe deveria apoiá-lo e legitimá-lo, assumindo uma postura de oposição aos extremistas. Mas não é isso que eles estão fazendo.
NYT Magazine:
Dos 192 embaixadores à ONU, algum se recusa a falar com o senhor?
Dan Gillerman:
Eu cumprimento a todos. Os embaixadores que não respondem são o do Irã, o da Síria e o da Líbia, cuja presença no Conselho de Segurança é um escândalo. Nenhum conselho de condomínio em Nova York deixaria a Líbia comprar um apartamento em seu prédio, mas a ONU dá assento a eles no órgão que responde pela paz e segurança mundiais.
NYT Magazine:
Como é a sua segurança?
Dan Gillerman:
Muito estreita, e permanente. Quando vou ao cinema com minha mulher, nossa maior preocupação é se escolhemos um filme que os seguranças não gostem. Em geral há dois ou três guarda-costas na fileira de trás.
NYT Magazine:
Quem compra os ingresso?
Dan Gillerman:
Eles. Eles se divertem muito.
NYT Magazine:
O senhor está a ponto de ser substituído como embaixador de Israel na ONU por Gabriela Shalev, professora de direito no Ono Academic College e uma pessoa sem experiência como diplomata. Uma pessoa comum pode mesmo ser diplomata?
Dan Gillerman:
Tenho certeza de que Gaby se sairá muito bem. Diplomacia não é algo que se possa aprender na escola ou como parte do governo. Um diplomata é alguém que, quando manda você para o inferno, o faz ter vontade de realizar a viagem.
NYT Magazine:
Quem o senhor preferiria que vencesse a eleição presidencial dos Estados Unidos?
Dan Gillerman:
Não creio que seria correto para mim expressar uma opinião sobre a situação política norte-americana. Eu seria crucificado. Essa é a pior gafe que uma pessoa pode cometer como diplomata, tomar partido.
NYT Magazine:
O senhor está usando uma gravata com estampa de elefantes. Seria um sinal de sua lealdade ao candidato do Partido Republicano (cujo símbolo é um elefante)?
Dan Gillerman: Não, de minha lealdade aos elefantes cor de rosa.
Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times Magazine
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