Depois de um julgamento de dois dias a portas fechadas, o veredicto foi lido publicamente pelo presidente do tribunal, segundo quem o fato de o acusado ser menor de idade no momento do fato não foi levado em consideração. "O tribunal quis destacar a gravidade do ato, mas também quis levar em conta a imaturidade do acusado", disse o magistrado, dirigindo-se ao acusado.
Durante a leitura do veredicto, o réu, chamado Julien, manteve o olhar fixo no solo, a cabeça baixa e parecia ter problemas para respirar. Antes de o juiz pronunciar a sentença, o jovem teve permissão para falar durante 10 minutos, durante os quais, segundo seu advogado, Gerard Doré, expressou arrependimento e garantiu que nunca se perdoaria pelo ocorrido. O promotor havia pedido uma pena de 25 anos para o jovem neste julgamento fechado iniciado na quarta-feira.
Julien, que tinha 17 anos no momento do fato, deu 42 facadas, 10 delas profundas, em sua vizinha e colega de estudos Alice, de 15. Depois de buscar a menina em casa, o jovem a esfaqueou num terreno baldio perto da casa de ambos e fugiu. Antes da chegada dos médicos de emergência, a vítima chegou a dizer o nome de seu agressor, morrendo em seguida.
Julien foi detido minutos depois na casa de seus pais e contou que estava fascinado pelo filme "Pânico", uma trilogia do diretor americano Wes Craven, que conta a história de vários adolescentes que semeiam o pânico num campus universitário e matam os colegas, vestidos com uma túnica negra e uma máscara cobrindo o rosto. A polícia encontrou na casa do acusado uma indumentária similar à do filme e uma faca.
O jovem foi submetido a vários exames psiquiátricos que não manifestaram uma doença mental ou o desconhecimento da gravidade do ato que cometeu. Segundo a investigação, Julien é "muito inteligente", premeditou o crime e simplesmente achava sua vida monótona.
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