Líderes concluem que ampliação dará vigor à UE

30 de abril de 2004 • 10h39 • atualizado às 10h39

Políticos e empresários europeus encerraram hoje a cúpula econômica de Varsóvia com a conclusão de que a ampliação pode ajudar a União Européia (UE) a conseguir o dinamismo econômico que tanto necessita. Nos últimos três dias cerca de 600 representantes de mais de quarenta países debateram na capital polonesa as vantagens e problemas da ampliação.

Embora a maioria dos debates tenha tido um caráter mais acadêmico que prático, o que levou a críticas sobre a utilidade deste tipo de eventos, os participantes destacaram a importância de escutar em primeira mão as expectativas e temores tanto dos novos sócios como dos países que ficarão de fora. Entre os participantes estavam líderes e economistas da atual e da nova UE, assim como de países que desejam fazer parte da organização e para os quais não há perspectiva por enquanto, como é o caso da Ucrânia.

Uma das principais conclusões dos debates foi que a ampliação, que exige aos novos países-membros grandes sacrifícios de reconversão, poderá servir para conferir vigor à velha UE, que poderá ser contagiada peldo ânimo empreendedor de seus novos sócios. Se isto acontecer, a UE poderá conseguir o objetivo da Agenda de Lisboa de tornar o continente o espaço econômico mais competitivo do mundo até 2010, um meta estipulada há quatro anos na capital portuguesa que, segundo os participantes, ainda está longe de se concretizar.

O que mais escutou-se de empresários e economistas foi que o principal problema da UE é sua falta de competitividade, resultante de um excessivo regulamento na burocracia da própria Comunidade e no mercado de trabalho. Nesse contexto, foi traçada também a necessidade de revisar o modelo social europeu, algo sobre o que houve um amplo consenso. No entanto, neste ponto os políticos foram mais cautelosos que os empresários, pois alguns destes falaram abertamente da necessidade de rescindir o contrato social que caracterizou a Europa do século XX.

Entre os problemas que podem surgir com a ampliação, o mais abordado foi a política fiscal dos novos membros, que levou países como a Alemanha a falar sobre um "dumping" causado pelos impostos muito baixos aplicados em muitos países. Os representantes poloneses foram taxativos ao responder estas críticas "irresponsáveis".

Em uma entrevista coletiva, o comissário para a Ampliação, Günter Verheugen, manifestou compreensão pela política fiscal dos novos sócios e afirmou que toda concorrência é desejável, mas criticou o tom populista observado na opinião pública de Polônia. Perguntado se tinha algum conselho para o novo sócio, Verheugen disse que essa não é sua missão mas manifestou sua esperança de que a população saiba diferenciar "comentários críticos e saudáveis de comportamentos populistas e anti-europeus". Os presidentes da Polônia e da Alemanha, Aleksander Kwasniewski e Johannes Rau, no entanto, acham que as feridas do passado podem ser superadas.

Na entrevista coletiva de encerramento, Kwasniewski se desfez em elogios ao discurso que o "magnifico alemão e maravilhoso europeu" Johannes Rau tinha pronunciado pouco antes no Sejm (parlamento).

O presidente alemão, por sua vez, esforçou-se para tranqüilizar o temor dos cidadãos de que a ampliação possa derivar em conseqüências negativas para ambos os lados. Referiu-se com isso ao medo dos alemães de um possível dumping salarial e dos poloneses de que seus vizinhos comprem todos os terrenos fronteiriços.

A chamada Cúpula Econômica Européia, que pela primeira vez foi realizada em Varsóvia em vez de Salzburgo, foi acompanhada de extremas medidas de segurança por temor a distúrbios de antiglobalizadores. No entanto, a Varsóvia não se transformou em Praga, e os milhares de manifestantes se limitaram ao protesto pacífico, o que, segundo Kwasniewski, foi exemplo da boa organização e refletiu que os antiglobalizadores podem se comportar civilizadamente. Enquanto a citada manifestação se dissolveu em poucas horas, a maioria dos estabelecimentos, por outro lado, mantiveram suas portas fechadas durante os três dias.

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