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Quinta, 17 de julho de 2008, 12h03 Atualizada às 12h02

Afeganistão: EUA deixam posto após ataque talibã

Forças americanas deixaram um posto avançado no nordeste do Afeganistão, onde nove soldados americanos foram mortos no domingo em um ataque violento de insurgentes, segundo oficiais da Otan.

A retirada serviu como propaganda da vitória do Talibã e os insurgentes rapidamente se instalaram na vila de Wanat, próxima ao posto abandonado, disseram oficiais afegãos. Os insurgentes quase liquidaram o precário posto militar em um ataque ao raiar do dia de domingo, sendo a ofensiva mais violenta contra as forças americanas no Afeganistão desde 2005.

As mesmas tropas americanas enfrentaram suas batalhas mais difíceis nas províncias de Kunar e Nuristão, região de florestas cerradas em meio a montanhas e barrancos íngremes, onde grupos guerrilheiros conseguem montar emboscadas e atirar mísseis de pontos privilegiados, escapando com facilidade.

Moradores da região, irritados com as mortes de civis causadas por ataques aéreos americanos direcionados a militantes, podem estar cooperando com o Talibã, disseram os oficiais.

Rahmatullah Rashidi, líder do conselho provincial de Nuristão, disse que os insurgentes ocuparam Wanat na terça-feira imediatamente após a retirada das tropas americanas e afegãs. "Eles estavam na espreita na floresta perto daqui," ele disse. Mas na quarta-feira, ele continuou, o conselho de anciãos da vila persuadiu o Talibã a ir embora, dizendo temer que a presença do grupo trouxesse mais confrontos.

A polícia local, que havia se retirado na terça-feira com as forças americanas, retornou a Wanat na quarta-feira com o apoio dos anciãos tribais, Rashidi disse. Agências de notícia reportaram que Omar Sami Taza, um oficial do gabinete do governador provincial, confirmou que a área está sob controle do Talibã.

Oficiais da Otan consideram a região como parte de Kunar, mas para o governo afegão, o distrito está sob jurisdição do Nuristão. Eles minimizaram a retirada americana e não confirmaram se as forças do Talibã tinham de fato se instalado em Wanat.

Em Cabul, o capitão Mike Finney, porta-voz das forças da Otan, disse que "os cidadãos de Wanat e do norte de Kunar podem ter certeza" de que a Otan e as tropas afegãs continuarão a patrulhar o distrito e a manter "forte presença na área."

"Agora mais do que nunca, estamos comprometidos com o estabelecimento de um ambiente seguro que crie mais oportunidades para o desenvolvimento e permita que o governo afegão exerça maior influência," ele complementou.

Apenas 45 soldados americanos e 25 afegãos ocupavam o posto militar de Wanat dias antes do ataque. Em número muito superior, os militantes quase arrasaram as forças americanas em uma batalha de quatro horas, que terminou com a retirada do Talibã. Além das nove mortes, outros 15 soldados americanos foram feridos. Quatro soldados afegãos também se feriram.

Do Pentágono, o secretário de Defesa Robert M. Gates e Mike Mullen, Chefe do Estado Maior das Forças Armadas americanas, disseram na quarta-feira que o ataque e outras recentes ofensivas fronteiriças demonstram a necessidade de mais tropas aliadas no Afeganistão e de ações mais agressivas por parte das forças de segurança paquistanesas do outro lado da fronteira.

"Não há dúvida de que a falta de controle do lado paquistanês da fronteira cria oportunidades para que mais pessoas avancem e lancem ataques," Gates disse aos repórteres. "Existe a necessidade real de que medidas sejam tomadas do lado paquistanês da fronteira para impedir a ação do Talibã e de outros grupos violentos."

Mullen afirmou que os ataques são indícios de que mais casos de violência na fronteira poderão ocorrer. "Vemos que a ameaça está crescendo," disse Mullen, que se encontrou com oficiais seniores do Paquistão em Islamabad no sábado. "Parece que diferentes grupos, que antes nunca haviam agido em conjunto, estão agora se associando."

O governo Bush estuda a retirada de mais forças de combate do Iraque a partir de setembro, em parte, pela necessidade de enviar reforços ao Afeganistão. Mullen não divulgou nenhuma data para o envio de reforços, mas disse, "Estamos trabalhando duro para que seja o mais rápido possível."

Tradução: Amy Traduções

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