Schroeder: dimensão histórica ofusca dificuldades da ampliação

30 de abril de 2004 • 08h46 • atualizado às 08h46

Em discurso no Parlamento sobre a ampliação da União Européia, o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, pediu hoje que não se perca de vista a "dimensão histórica" desse acontecimento, o qual, na opinião dele, ofusca as dificuldades que possam surgir. "Para entender a dimensão histórica (da ampliação), é preciso lembrar a situação de há cerca de 60 anos, quando a II Guerra Mundial deixara 44 milhões de mortos, 15 deles no leste da Europa e outros 20 na União Soviética", disse Schroeder no início de seu discurso.

O chanceler alemão afirmou que a Europa está agora diante da "missão única de conseguir paz e prosperidade duradoura" e acrescentou que os países da Comunidade Européia sempre quiseram que se avançasse para o leste. Schroeder lembrou que o acontecimento de amanhã não é apenas uma ampliação da UE mas "o regresso à Europa a que sempre pertenceram" os países que contribuíram muito para a cultura e o desenvolvimento do continente. A esses países corresponde o mérito de ter acabado com a divisão da Europa, enquanto o Oeste "teve a sorte de poder se desenvolver com a ajuda dos Estados Unidos".

O chanceler mencionou também a importância de Malta como ponte entre as duas margens do Mediterrâneo e de Chipre com suas duas culturas. Ele aproveitou para lamentar o fracasso da iniciativa de reunificação. Schroeder reiterou seu apoio a que se dêem perspectivas de integração a países como Bulgária, Romênia e os dos Bálcãs e que se aumente a cooperação com a Rússia e se ajude esse país a ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Mas o chanceler alemão defendeu sobretudo a não retirada "por simples populismo" da promessa que se fez à Turquia há 40 anos de ingressar na UE caso cumprisse as condições. Para a Europa, a integração da Turquia representaria "um enorme ganho de segurança", disse Schroeder, ressaltando as vantagens da união entre "um Estado islâmico não fundamentalista e a Europa da ilustração". A respeito das preocupações econômicas dos alemães e em particular o medo de perder emprego pela concorrência do Leste, Schroeder afirmou que a maioria das empresas que quiseram abandonar a Alemanha para se instalar em países vizinhos já o fizeram nos anos 90. Além disso, considera que a Alemanha, com sua elevada produtividade e capacidade de exportar, será a mais beneficiada com a ampliação.

No entanto, Schroeder também foi crítico com os novos membros da UE quando atacou a concorrência fiscal praticada pelos países do Leste a países como a Alemanha.

O ministro das Relações Exteriores, Joschka Fischer, dos Verdes, ressaltou em seu discurso a importância de que a Europa adquira um peso político no mundo. Segundo ele, cada vez mais interlocutores pedem a intervenção européia nos assuntos mais díspares.

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