Madeleine: suspeito aceita indenização de R$ 1,8 mi

17 de julho de 2008 • 09h19 • atualizado às 12h23
Robert Murat concede entrevista após aceitar indenização de 600 mil libras
Robert Murat concede entrevista após aceitar indenização de 600 mil libras
17 de julho de 2008
Getty Images

O primeiro suspeito oficial no caso do desaparecimento em Portugal da menina Madeleine McCann, o britânico Robert Murat, aceitou nesta quinta-feira 600 mil libras (mais de R$ 1,8 milhão) como indenização pelos danos à imagem causados por dez publicações britânicas.

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"A declaração de hoje de desculpa em um tribunal significa que emerjo desta ação desculpado e com o reconhecimento de que o que foi dito contra mim era totalmente falso", disse Murat hoje na saída do Tribunal Superior de Justiça da Inglaterra e de Gales, onde aceitou o acordo.

Murat, que mora a pouco mais de 100 m de onde a menina britânica desapareceu em maio, disse que as publicações envolvidas neste caso "destruíram totalmente" sua vida e a de sua família, e lhe "causaram uma angústia imensa".

"Estou feliz pelo fato de as publicações envolvidas terem admitido hoje a falsidade de todas suas alegações e que eu possa agora começar a reconstruir minha vida", acrescentou.

O britânico, que continua sendo considerado suspeito no caso, iniciou ações judiciais junto com a amiga Michaela Walczuch e o consultor de telecomunicações Serguei Malinka contra os veículos de comunicação pela publicação de quase cem artigos "gravemente difamatórios".

Além da compensação econômica, o acordo inclui uma desculpa por escrito das publicações The Daily Mail, The Evening Standard, Metro, The Daily Express, The Daily Star, The Sunday Express, The Daily Mirror, The Sunday Mirror, The Sun e News of the World.

O caso de Murat se junta aos pais de Madeleine, Gerry e Kate McCann, indenizados com 550 mil libras pelos jornais do grupo Express Newspapers.

Doze dias depois do desaparecimento de Madeleine, de quatro anos, a Polícia Judiciária portuguesa declarou Murat como suspeito oficial, após ele levantar suspeitas entre a imprensa britânica que estava no Algarve, para a qual serviu de intérprete.

O homem, que sempre defendeu sua inocência, foi interrogado várias vezes e a Polícia averiguou várias pessoas próximas ao britânico e apreendeu diversos objetos pessoais, de computadores a roupas, para análises.

No entanto, a Polícia nunca chegou a prendê-lo nem acusá-lo formalmente.

As suspeitas sobre Murat se diluíram quando, no início de setembro, os pais de Madeleine, Gerry e Kate McCann, foram declarados suspeitos de participar de uma hipotética morte acidental e ocultação do cadáver da filha, o que eles negam.

Em 12 de julho, os investigadores portugueses fecharam o caso sem ter conseguido avanços significativos.

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