Colômbia: diplomata suíço levou US$ 500 mil para Farc

06 de julho de 2008 • 14h24 • atualizado às 14h59

O ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, declarou neste domingo que o diplomata suíço Jean Paul Gontard aparece como "portador" de US$ 500 mil confiscados das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na Costa Rica.

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Santos fez a afirmação em entrevista publicada hoje pelo jornal El Tiempo, na qual reiterou que o governo colombiano não pagou pelo resgate dos 15 reféns das Farc.

Os seqüestrados foram libertados na quarta-feira pelo exército da Colômbia, e entre eles estavam a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt; os americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves, e 11 militares e policiais colombianos.

"A única coisa que eu digo é que esse senhor (Gontard) terá que explicar por que aparece nas mensagens de 'Raúl Reyes' como o portador dos US$ 500 mil apreendidos da guerrilha colombiana na Costa Rica", disse o ministro, se referindo ao computador do porta-voz internacional das Farc.

Reyes foi morto em 1º de março, em uma operação do Exército colombiano em território equatoriano, na qual também morreram outras 25 pessoas, e que gerou uma crise diplomática entre Colômbia e Equador.

Quando perguntado se Gontard "se aliara à guerrilha" colombiana, Santos respondeu: "Nem uma palavra a mais".

O diplomata esteve envolvido nos esforços para a libertação dos reféns das Farc anteriores à operação que libertou os 15 reféns na semana passada.

Sobre a afirmação do jornalista suíço Frederich Blassel, da Radio Suisse Romande (RSR), de que um rebelde das Farc recebeu US$ 20 milhões em troca da entrega dos seqüestrados, e que a operação foi uma armação, Santos disse: "Desde sexta-feira passada que eu repito que isso é absolutamente falso".

O ministro explicou que a chamada Operação Xeque, na qual o Exército colombiano libertou os 15 seqüestrados, foi proposta por membros da "inteligência militar (colombiana), criativos e audazes".

O plano consistiu em convencer o guerrilheiro "César" - que estava com os cativos - que o chefe militar das Farc, Jorge Briceño, conhecido como "Mono Jojoy", ordenara a transferência dos seqüestrados para o local onde estava o líder máximo da guerrilha, "Alfonso Cano".

"Montaram, então, uma espécie de estúdio de cinema, para pôr o plano em prática. As pessoas que participaram diretamente nos helicópteros tiveram, inclusive, aulas de teatro", explicou o ministro colombiano.

Santos acrescentou que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, lhe respondeu assim ao contar sobre o projeto: "Vá em frente, ministro".

Ele reiterou que o Exército se infiltrou nas Farc, e destacou que esse processo "não aconteceu de um dia para o outro".

"Nós temos infiltrados nas Farc há muito tempo", afirmou.

Sobre o futuro das Farc, Santos disse "esperar que Alfonso Cano perceba que se não negociar agora, será muito difícil mais tarde".

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