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 Fujimori desviou US$ 325 milhões para operações secretas
29 de junho de 2008 14h26 atualizado às 15h04

O ex-presidente peruano Alberto Fujimori autorizou o desvio de US$ 325 milhões para contas comandadas por seu então assessor Vladimiro Montesinos para realizar operações secretas de inteligência, revelou um jornal local com base nos indícios reunidos pela justiça do Peru.

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Uma investigação do jornal La República descobriu que os juízes acumularam indícios em dois processos abertos contra o ex-líder (1990-2000) e seu conselheiro de inteligência por desvios de fundos e transferências ao Serviço de Inteligência Nacional (SIN) do Peru, no qual Montesinos figurava como assessor de honra.

A documentação oficial e testemunhos recolhidos pelos magistrados levaram a crer que "entre julho de 1990 e dezembro de 2000 aconteceu uma retirada irregular de fundos públicos de cerca de 916 milhões de novos sóis, o equivalente a aproximadamente US$ 325 milhões", disse o jornal.

Os fundos provinham dos ministérios de Defesa e Interior, do Exército, da Marinha, da Força Aérea e do próprio SIN para duas contas: Reserva 1, que era para benefício de Fujimori, e Reserva 2, para uso exclusivo de Montesinos.

As declarações foram feitas pela empresária Matilde Pinchi Pinchi, uma colaboradora da justiça e ex-testa-de-ferro do ex-assessor presidencial.

De acordo com a Sala Penal Especial da Corte Suprema, os fundos desviados do SIN para a verba secreta de Ações Reservadas foram de 3,7 milhões de novos sóis por mês. Desse valor, dois milhões de novos sóis iam para a Reserva 1, e 725 mil, para a Reserva 2".

A diferença de 975 mil novos sóis era administrada pelo chefe do SIN no pagamento de gratificações para o grupo Colina, responsável pelos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), nos quais morreram 25 pessoas, dentre outros crimes.

Fujimori enfrenta um processo por violação aos direitos humanos justamente pelos casos de Barrios Altos e La Cantuta, e pelo seqüestro do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer depois do Autogolpe de 1992.

O desvio de fundos começou em 1990 com a criação da verba Ações Reservadas no orçamento do SIN, no qual eram depositadas mensalmente valores que iam de 500 mil novos sóis a 11 milhões de novos sóis.

O ex-presidente peruano deu uma ordem verbal ao chefe formal do SIN - o general reformado Julio Salazar Monroe -, aos ministros respectivos e aos comandantes gerais das forças armadas, indicou o artigo de Edmundo Cruz, chefe da unidade de investigação da República.

Também restou uma ordem escrita, que foi o ofício de 27 de outubro de 1999, dirigido ao Ministério do Interior.

As ordens verbais de Fujimori foram referendadas pelos ministros, chefes militares e responsáveis do SIN interrogados pelos juízes que averiguam os casos.

A investigação assinalou que dos fundos secretos saíram as recompensas de US$ 50 mil para os integrantes do grupo Colina, militares em exercício que foram recrutados para efetuarem uma suposta guerra suja durante a época do terrorismo, e de US$ 100 mil para seus chefes.

Além disso, Fujimori teria utilizado parte de sua conta reservada para financiar os estudos de seus quatro filhos em universidades dos Estados Unidos - o que representou um desembolso de quase US$ 918 mil.

Nas audiências pelo julgamento de Fujimori, Salazar Monroe voltou atrás em suas próprias declarações, nas quais reconheceu a existência das contas e as autorizações do ex-governante.

No entanto, a Procuradoria terá oportunidade amanhã de interrogar Montesinos sobre o assunto, pois o ex-assessor participará pela primeira vez do julgamento de Fujimori.

EFE
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