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UE se aproximam de retirada de sanções contra Cuba

19 de junho de 2008 16h37 atualizado às 16h47

Os chanceleres da União Européia (UE) avançavam nesta quinta-feira em direção a um acordo de retirada das sanções contra Cuba, segundo o ministro das Relações Exteriores espanhol, Miguel Angel Moratinos, que, apesar de ter se mostrado "cauteloso", manifestou seu otimismo a respeito de "um consenso" na abertura da reunião de cúpula de Bruxelas.

"Espero não estar equivocado. Creio que há um avanço com bastantes possibilidades de se alcançar um consenso (...) da União Européia em relação a Cuba", afirmou Moratinos antes do jantar de chanceleres, no qual o tema deverá ser debatido.

Mas "até o último momento prefiro me manter cauteloso", disse o ministro espanhol das Relações Exteriores.

Outros dirigentes europeus também manifestaram seu otimismo sobre a retirada das sanções adotadas em 2003 e suspensas desde 2005.

"Estamos debatendo. Sou a favor da retirada das sanções, mas resta ainda ver o que vamos fazer", afirmou o ministro esloveno das Relações Exteriores, Dimitrij Rupel, cujo país exerce atualmente a Presidência rotativa da UE.

"O debate que fizemos nas duas últimas semanas avançou em uma direção que me parece boa", indicou o chanceler sueco, Carl Bildt, alertando que os gestos de abertura feitos por Raúl Castro após o afastamento de seu irmão Fidel não são suficientes.

Seguindo a posição da Espanha, a Presidência eslovena preparou um texto básico sobre o qual os chanceleres deveriam ter se pronunciado na segunda-feira durante uma reunião em Luxemburgo.

A pedido da chanceler alemã Angela Merkel, a questão foi adiada, porém, até o primeiro dia da reunião de cúpula de chefes de Estado e de Governo desta quinta e de sexta-feira em Bruxelas.

Na Alemanha, "como sabem, há um governo de coalizão e tanto a chancelaria como o Ministério das Relações Exteriores tinham sua posição, mas já estão claras, já temos uma posição unida alemã, e creio que isso vai nos permitir encerrar o tema, espero que essa noite", afirmou o ministro espanhol.

Além da retirada das sanções impostas ao regime comunista por condenar 75 dissidentes, em março de 2003, a duras penas de prisão, e pela execução sumária de três seqüestradores de uma lancha que pretendiam emigrar para os Estados Unidos, o texto preparado pela Eslovênia propõe o início de um diálogo político com o governo de Cuba.

"Temos conversado com as autoridades de Cuba (...) e dissemos a elas, com clareza, que queremos ver mais progressos, que queremos ver a libertação de mais presos políticos", afirmou Benita Ferrero-Waldner, Comissária de Relações Exteriores da União Européia.

As sanções, que consistem em limitar as visitas governamentais bilaterais de alto nível e em convidar, sistematicamente, dissidentes cubanos para as embaixadas de países da UE, estão suspensas desde 2005 graças à pressão do governo socialista espanhol.

Até o adiamento pedido pela Alemanha, a República Tcheca era, com o apoio de Dinamarca e Holanda, a mais reticente dos 27 a retirar as sanções. Um membro da delegação tcheca, que solicitou o anonimato, confirmou, contudo, que "um acordo está relativamente próximo".

AFP
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