Sharon Papo e Amber Weiss casam-se na prefeitura de San Francisco |
Jesse McKinley
Estados Unidos
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Os casamentos começaram a ser realizados em muitas cidades pouco depois das 8h, quando os cartórios municipais foram abertos um pouco antes do horário. Mas ao contrário das cenas vistas em 2004, quando a cidade de San Francisco - e só ela - violou a lei e celebrou milhares de casamentos homossexuais (posteriormente anulados pelos tribunais), as cerimônias da terça-feira muitas vezes propiciavam uma sensação de calma e permanência.
"Na época, a situação era tão ambígua em termos legais", disse Lorie Franks, 43 anos, que voltou à prefeitura de San Francisco, como havia feito em 2004, para se casar com AnneMarie Franks, com quem vive há muito tempo. "Foi realmente tocante, mas nós sabíamos que estávamos patinando em gelo fino. Desta vez, a coisa me parece mais real".
Boa parte dessa segurança deriva de uma decisão da Corte Suprema da Califórnia, que legalizou o casamento homossexual em 15 de maio, e da subseqüente rejeição de apelos contra a decisão, na Corte Suprema em si e no tribunal estadual de apelações, que rejeitou novo pedido de mandado contra os casamentos homossexuais, na terça-feira.
A decisão da Corte Suprema entrou em vigor oficial às 17h01 da segunda-feira, e a manhã de terça foi marcada por uma série de cerimônias coletivas de casamento, em edifícios cívicos, nas ruas e em outros locais. A Califórnia se tornou o segundo Estado norte-americano a legalizar o casamento homossexual - depois de Massachusetts, em 2004 -, mas as leis californianas que permitem que moradores de fora do Estado se beneficiem igualmente do estatuto atraiu casais do Kansas, Havaí e Texas, bem como da Tailândia, França e Itália.
Os ativistas dos direitos homossexuais disseram que a terça-feira era um marco para o amadurecimento de um movimento que começou com os violentos distúrbios do Stonewall Inn, em Nova York, em 1969. "Trata-se do começo de uma visão sobre o que significa viver em um país e Estado que afirmam a igualdade de todos", disse Kate Kendell, diretora do Centro Nacional pelos Direitos Lésbicos.
Ao mesmo tempo, com uma iniciativa a ser votada em referendo como parte da eleição de novembro, os conservadores estão propondo uma emenda à constituição da Califórnia sob a qual apenas o casamento entre homem e mulher seria ¿válido e reconhecido¿ no estado. Alguns grupos de defesa dos direitos homossexuais estão acautelando os casais gays que estão se casado a manter a discrição e um tom respeitoso em suas comemoração, de forma a não alimentar as reações dos oponentes ou justificar estereótipos.
"Casamento é coisa séria e as pessoas deveriam tratá-lo com seriedade", disse Geoff Kors, diretor executivo do Equality California, um grupo de defesa dos direitos homossexuais. "E o mundo está observando, e precisa saber que continuamos a apoiar a instituição do casamento". Kendell concorda, dizendo que os homossexuais compreendem a importância do momento. "Há um momento para a festa, há um momento para a celebração, há um momento para o exagero", ela disse. "Mas há o casamento, também, que é muito mais que isso".
Kors e Kendell dizem que não existe uma campanha organizada para promover a discrição nas cerimônias, mas alegam que a luta política que acontecerá nos próximos meses será árdua. "Não enviamos e-mails coletivos instruindo as pessoas quanto ao que vestir nos casamentos, mas quando as pessoas nos fazem perguntas, dizemos que devem se casar como preferirem, mas tratando o momento com respeito", disse Kors.
Ao mesmo tempo, os oponentes do casamento homossexual preferiram manter a distância, e houve apenas protestos dispersos - e por pequeno número de manifestantes - ao longo da segunda e terça-feiras. Tony Perkins, fundador do Conselho de Pesquisa da Família, em Washington, disse que seu grupo não havia organizado quaisquer protestos na Califórnia.
"Nós permitiremos que eles tenham seu dias", disse Perkins. "Nosso foco é educar o eleitorado¿. Dennis Herrera, secretário da Justiça de San Francisco, disse que não estava claro se a possível aprovação da emenda resultaria em anulação dos casamentos realizados de agora a novembro. Para as pessoas que estavam esse casando, evidentemente, essas preocupações eleitorais eram secundárias.
Em West Hollywood, um grupo de casais esperou a noite toda pelo horário de abertura, trazendo formulários preenchidos que os identificavam como "Parte A" e "Parte B", em lugar de "noivo" e "noiva". Já em Los Angeles, o momento foi dominado pelas celebridades - o que representa o maior sinal de aprovação, na cidade. George Takei, que interpretava o personagem "Sulu" em Jornada nas Estrelas, obteve uma licença de casamento, e planeja se casar em setembro.
Em áreas menos cosmopolitas, como o condado de Kern, onde o notário local cancelou todas as cerimônias de casamento para não ter de casar homossexuais, os nubentes trocaram votos em um pátio arborizado diante do cartório, em lugar disso. (O cartório é obrigado a continuar emitindo licenças de casamento, no entanto, em respeito às leis estaduais). "Estamos tão felizes que não dá para parar de sorrir", disse Kathi Gose, 52 anos, que se casou com Karen Briefer, 45 anos, em Bakersfield. Elas viviam juntas há 11 anos. "Temos de ter os mesmos direitos que os demais cidadãos norte-americanos", disse Gose.
Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times