Bush se arrepende de retórica usada antes da guerra

11 de junho de 2008 • 05h08 • atualizado às 09h24

O presidente norte-americano, George W. Bush, admitiu nesta quarta-feira que sua retórica dura deu ao mundo a impressão de que ele é "um cara muito ansioso para fazer guerra" e disse que, agora, gostaria de ter falado em um tom diferente.

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Em entrevista publicada hoje pelo diário inglês The Times, Bush, que protagoniza atualmente uma viagem de despedida de seus aliados europeus, admite que algumas atitudes e frases que utilizou fizeram muitos acreditar que "não era um homem de paz".

Bush mostrou-se arrependido com a divisão na comunidade internacional provocada pela guerra no Iraque. "Acho que poderia ter usado um tom diferente, uma retórica diferente". Para ele, o uso de frases como "podem vir" e "vivo ou morto" indicaram às pessoas "que eu não era, você sabe, um homem de paz".

O político republicano diz ter sido "muito doloroso" pôr jovens norte-americanos em perigo, enviando-os ao front de guerra, e afirmou que vem tentando se reunir com todas as famílias que pode, pois se sente obrigado a "consolá-las na medida de suas possibilidades, e assegurar que essas vidas não foram perdidas em vão".

Em relação ao Iraque, Bush explica que não foi suficientemente reforçado que o país tentou explorar uma via diplomática para resolver o conflito, motivo pelo qual, afirma, "recorreu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas".

Bush assinala na entrevista que, no tempo que lhe resta à frente da Presidência americana, tentará chegar a acordos sobre diferentes assuntos, como o estabelecimento de um Estado palestino, para "deixar ao próximo presidente certas estruturas que facilitem sua tarefa".

Sobre seu sucessor, qualquer que seja, Bush afirma que, quando chegar à Casa Branca e ver como as coisas funcionam com o Irã, terminará seguindo a atual política americana para o país.

Em relação à sugestão expressada recentemente por um ministro israelense, que afirmou que um ataque militar contra o Irã seria "inevitável", Bush afirma que "é preciso seguir trabalhando em conjunto, sem distração".

"Os comentários do ministro devem ser interpretados no sentido de que é preciso seguir pressionando o Irã", afirmou.

Bush assinala que o objetivo nos últimos meses de sua Presidência é deixar a seu sucessor uma estrutura de diplomacia internacional que permita resolver o conflito com o Irã.

Ao referir-se às promessas do candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, de que renegociará ou bloqueará certos acordos internacionais de comércio, Bush adverte que existe preocupação no mundo "pelo protecionismo e nacionalismo econômico".

"Os governantes reconhecem que é o momento de avançar nesse tema antes que (o protecionismo) termine ancorado nos sistemas políticos de nossos países respectivos", afirma o presidente.

Sobre sua recusa em ratificar o Protocolo de Kioto, Bush assinala que há atualmente um reconhecimento de que os países ricos "têm que superar a economia baseada nos hidrocarbonetos", mas insiste que, sem a China e a Índia, não é viável fixar alvos vinculativos de redução de emissões de CO2.

Bush ainda manifestou seu apoio ao premiê britânico, Gordon Brown, com quem deve se encontrar no domingo. Brown está passando por um momento difícil, com a queda do apoio ao Partido Trabalhista e à sua liderança.

"(Ele é) muito confiante e muito inteligente, muito capaz", disse Bush ao jornal. "Ele pode resolver isso."

Com agências internacionais

Redação Terra
 
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