Acidente aéreo no Sudão deixa dezenas de mortos

10 de junho de 2008 • 16h03 • atualizado às 21h51
Avião é destruído pelo fogo após tentar pousar no aeroporto Cartum
Avião é destruído pelo fogo após tentar pousar no aeroporto Cartum
10 de junho de 2008
TV Sudão/AP

Dezenas de pessoas morreram quando um Airbus da companhia Sudan Airways pegou fogo ao pousar no aeroporto de Cartum, informou a TV estatal sudanesa nesta terça-feira.

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Informações preliminares indicavam que "quase metade dos 203 passageiros morreu", mas a direção da aviação civil informou, posteriormente, que 103 passageiros e 10 tripulantes escaparam sãos e salvos, e que "um certo número" de sobreviventes deixou o aeroporto sem entrar em contato com as autoridades.

Já a TV estatal afirmou que "os hospitais de Cartum receberam muitos feridos". O avião saiu da pista, após a aterrissagem, por motivos ainda desconhecidos, pegando fogo em seguida, disse uma fonte policial citada pela TV.

"Houve uma explosão em um dos motores, e o aparelho se incendiou", declarou à emissora o diretor do aeroporto de Cartum, Yussef Ibrahim. "Não podemos dar números exatos" de vítimas, mas "vários passageiros estão sãos e salvos", garantiu.

O aparelho procedia de Amã, via Damasco. A bordo, viajavam 203 passageiros e uma tripulação de 14 pessoas, segundo a TV. O avião saiu da pista, "devido às más condições climáticas", informou o apresentador da televisão, acrescentando que "Cartum sofreu, nos últimos dias, tempestades de areia e chuvas torrenciais".

Segundo Mabruk Mubarak Salim, vice-ministro dos Transportes, "o clima foi uma das causas do acidente". Salim destacou ainda que o aparelho fez uma escala em Port Sudan antes de receber a autorização para pousar em Cartum, devido ao mau tempo.

Os bombeiros levaram mais de uma hora para controlar o incêndio. Abbas Al-Fadini, um deputado sudanês que estava no avião, disse que o fogo começou na turbina do lado direito e se propagou para o interior do aparelho.

O deputado, que viajava na parte dianteira do Airbus, foi um dos primeiros a sair, ajudado por membros da tripulação. Outro sobrevivente, Ibrahim Saleh, que viajava na parte de trás do avião, contou à AFP que ajudou várias crianças a escapar, antes de sair do avião.

A polícia cercou o aeroporto, que só será reaberto na manhã de quarta-feira, em meio ao pânico de familiares à procura de notícias. "É uma tragédia. O avião saiu da pista, não foi terrorismo. (...) Penso que a maioria dos passageiros era de sudaneses", declarou John Ukec, embaixador do Sudão nos Estados Unidos.

Essa é uma das principais catástrofes aéreas dos últimos anos no Sudão. Em julho de 2003, as 115 pessoas que viajavam em um avião da Sudan Airways morreram em um acidente no leste do país. Apenas uma criança sobreviveu.

De acordo com as autoridades locais, esse acidente ocorreu pela falta de peças de reposição, decorrentes das sanções americanas contra o país.

No Sudão, o maior país da África, são raros os acidentes de aviões de carreira, ao contrário do que acontece com os aparelhos militares. Desde 1998, muitos deles já se acidentaram.

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