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 Suposto cérebro do 11/9 rejeita advogados
05 de junho de 2008 11h25 atualizado às 12h22

O suposto cérebro dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, Khalid Sheikh Mohamed, rejeitou seus advogados e pediu para se representar diante de um tribunal militar antiterrorista americano.

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"Não aceitarei nenhum advogado. Representarei a mim mesmo", disse Mohammed, em seu primeiro comparecimento ao juiz na base naval de Guantánamo.

O juiz Ralph Kohlmann, um coronel da Marinha, respondeu: "esta é uma das opções que o senhor tem", e perguntou a ele se entendia que pode ser condenado à morte.

"É isso que eu quero. Há muito tempo que pretendo ser mártir", afirmou Mohammed, que disse não poder aceitar nenhum advogado dos EUA pelas ações deste país no Afeganistão, Iraque e na "Terra Santa".

Mohammed também pediu para poder falar com outros quatro supostos membros da rede terrorista Al-Qaeda com quem é processado, mas Kohlmann disse que não permitirá "uma defesa conjunta".

O réu apareceu hoje publicamente pela primeira vez desde sua captura, em março de 2003, vestido com uma túnica e gorro brancos, que, segundo a coronel do Exército americano Wendy Kelly, são normalmente usados por prisioneiros em Guantánamo.

Mohammed tem uma barba grande e grisalha, ao contrário das fotos distribuídas pelo Pentágono quando foi capturado no Paquistão, nas quais aparecia com bigode.

Em inglês, Mohammed se queixou que, em um depoimento anterior, fechado à imprensa, a uma junta militar, "traduziram mal minhas palavras e puseram palavras na minha boca".

"Meu inglês não é ruim", disse Mohammed, que estudou engenharia na Carolina do Norte, mas assim mesmo pediu um intérprete.

Da mesma maneira, Ali Abdul Aziz Ali, outro dos acusados, reclamou que só tinha falado com seu intérprete cinco minutos antes do início da audiência e afirmou ter se considerado "sem tradutor".

"Tive problemas com os tradutores, que traduziram mal ou entenderam mal", afirmou Ali, em inglês, pedindo um do Oriente Médio.

No entanto, o juiz Kohlmann declarou: "os assuntos que trataremos hoje são bastante simples", e por causa da fala de Ali em inglês, disse, que, até aquele momento, "o senhor entenderá tudo o que eu disser em inglês".

Também compareceram hoje perante o juiz os réus Walid bin Attash, Ramzi Binalshibh e Mustafa al-Hawsawi.

Todos são representados por advogados militares designados pelo Pentágono e têm direito a letrados civis, que devem ser custeados pelos próprios réus.

O juiz Kohlmann começou a audiência com uma advertência. "Qualquer declaração dos acusados se presume que será secreta", disse.

Isto significa que o som poderá ser eliminado para que a imprensa reunida em Guantánamo não escute a informação que, segundo Kohlmann, "prejudique a segurança nacional" dos EUA. Mohammed confessou ser o mentor dos atentados de 11 de Setembro de 2001.

Binalshibh estava destinado a ser um dos seqüestradores dos aviões comerciais usados nos ataques, mas não conseguiu um visto de entrada nos EUA, e se tornou o principal intermediário dos terroristas com Mohammed.

Ali supostamente enviou dinheiro aos seqüestrados e Hawsawi foi seu assistente. Attash teria treinado alguns deles.

A Promotoria pediu a pena de morte para os cinco. Todos ficaram confinados em prisões secretas da CIA desde sua captura até setembro de 2006, quando foram transferidos para Guantánamo.

EFE
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