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GENEBRA, 22 Mai 2008 (AFP) - O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas adotou nesta quinta-feira uma resolução proposta por Cuba, na qual pede que todos os países tomem "as medidas necessárias" para garantir o acesso aos alimentos em plena crise causada pela alta dos preços.
Em uma sessão especial dedicada à crise alimentar, a instância formada por 47 países adotou por consenso essa resolução que requer revisar "qualquer política ou medida que possa ter um impacto negativo sobre o cumprimento do direito à alimentação".
Pouco antes, a alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Louise Arbour, dirigiu-se ao fórum para responsabilizar a convergência de fatores, como as práticas comerciais injustas, as distorções do abastecimento, a demanda e os subsídios, pela atual situação.
Arbour pediu uma reação para evitar que se produza "um efeito dominó" que ponha em risco "direitos fundamentais, inclusive o direito à educação, quando as pessoas se vêm forçadas a prescindir de outras necessidades básicas e serviços para poder se alimentar e alimentar suas famílias".
O preço dos alimentos quase dobrou em três anos, segundo o Banco Mundial.
Os especialistas atribuem o aumento às restrições comerciais, ao clima e ao crescente uso de biocombustíveis elaborados de produtos agrícolas, como o milho. Outra razão é o aumento do preço do petróleo que encareceu o transporte.
A sessão do Conselho também contou com a presença do relato da ONU sobre o direito da alimentação, Oliver de Schutter, que pediu que se ponha fim aos subsídios e aos novos investimentos para favorecer a produção de biocombustíveis.
De Schutter se mostrou contra os objetivos dos Estados Unidos e da Europa de aumentar o uso desses combustíveis.
"Abandonando" esses objetivos, "enviaremos uma mensagem aos mercados de que o preço dos cultivos não aumentará infinitamente, desestimulando" os especuladores, explicou.
wtf/cl/tt
AFP
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