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Atualizada às 21h20
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O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, deve se reunir com representantes do governo birmanês quando chegar a Yangun, no domingo, mas o encontro ainda não foi confirmado, disse hoje à agência Efe seu porta-voz, Stéphanie Bunker.
"O que normalmente acontece nesse tipo de viagem são reuniões de autoridades, funcionários da ONU, das ONGs e doadores. Isso é o que esperamos que ocorra neste caso também", assinalou.
Holmes viajará a Mianmar, onde permanecerá até o dia 21 de maio, com a orientação expressa do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para acelerar a distribuição de ajuda, um processo que para a organização multilateral está sendo muito lento.
Ban assinalou hoje, em reunião a portas fechadas com embaixadores na Assembléia Geral da ONU, que o diplomata britânico entregará uma carta à cúpula militar birmanesa na qual expressa a vontade das Nações Unidas de ampliar a colaboração nas operações de socorro.
A carta é a terceira que Ban remete ao chefe da Junta Militar de Mianmar, o general Than Shwe, que também ignorou as ligações telefônicas do secretário-geral das Nações Unidas.
O embaixador da França perante a ONU, Jean Maurice Ripert, assegurou na saída da reunião que estava "surpreso" com a insistência do secretário-geral de que é preciso convencer os militares birmaneses a deixarem ajudar a seu povo.
"É algo totalmente inaceitável", afirmou o diplomata francês. Ele reiterou que seguirá invocando perante o Conselho de Segurança o conceito sobre a "responsabilidade de proteger" que a ONU adotou em 2005, e que permite à comunidade internacional atuar em casos nos quais os governos não evitem genocídios, limpezas étnicas ou crimes de lesa-humanidade.
"É verdade que não se incluíram os desastres naturais, pois não havia ocorrido a ninguém que um governo se atreveria a deixar de prestar assistência à sua própria população em um caso de desastre natural", apontou.
Ripert insistiu que "o importante agora não são as palavras, mas a ação" porque "há vidas em perigo". A França, com o respaldo do Reino Unido e dos EUA, pressionou o Conselho de Segurança para que adote uma postura firme perante Mianmar, mas China, Vietnã e outros membros do órgão se recusam a interferir no que consideram um "problema interno".
As críticas de Ripert à atuação do governo birmanês fizeram com que o embaixador do país, Kyaw Tint Swe, lhe interrompesse e acusasse Paris de enviar "um navio de guerra" à zona.
Ripert replicou, explicando que o navio da Marinha francesa que navega rumo a essas águas transporta 1,5 mil toneladas de ajuda, e não é uma embarcação de combate.
As Nações Unidas consideram que a distribuição de assistência humanitária continua sendo insuficiente para poder atender as necessidades urgentes dos desabrigados, que oscilam entre 1,6 e 2,5 milhões de pessoas.
As autoridades birmanesas elevaram hoje para cerca de 78 mil o número de mortos por causa do ciclone, e para 56 mil o de desaparecidos, embora organizações internacionais considerem que o número real possa superar os 100 mil.
EFE
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