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Atualizada às 09h51
"O ciclone foi um desastre monumental e, agora, enfrentamos uma catástrofe humana de proporções apavorantes", disse hoje em entrevista coletiva o secretário-geral da Federação Internacional, Markku Niskala.
Em 6 de maio, a entidade fez um pedido preliminar e de emergência no valor de 3,86 milhões de euros.
O diretor do departamento de Programas e Coordenação da Federação Internacional, Thomas Gurtner, disse que o apelo se baseia em dados atuais e ressaltou que tanto as vítimas quanto a duração da ajuda podem variar.
Segundo as estimativas da instituição, há pelo menos dois milhões de afetados, a maioria dos quais não conta com refúgio, nem acesso a alimentos nem água potável.
Até o momento, a instituição pôde atender a 100 mil pessoas, principalmente no que se refere a alojamento e distribuição de água potável.
Segundo os cálculos da ONU, reafirmados pelos especialistas da Cruz Vermelha, até o momento só entre 15% e 20% dos desabrigados puderam obter ajuda.
No terreno trabalham 21 estrangeiros e mais de 26 mil voluntários da Cruz Vermelha birmanesa, "uma ajuda inestimável", definiu Niskala.
O secretário-geral destacou o apoio destes voluntários e da rede estabelecida pela Cruz Vermelha Birmanesa para explicar o porquê das aparentes poucas dificuldades encontradas pela instituição, ao contrário de outros organismos internacionais.
"Estamos trabalhando com a sociedade nacional birmanesa, até agora estamos satisfeitos e não podemos nos queixar", afirmou Niskala, em alusão aos obstáculos que a Junta Militar Birmanesa está colocando na distribuição de ajuda e à entrada ao país pessoal estrangeiro.
No entanto, uma autoridade da Cruz Vermelha negocia em Yangun com os militares a entrada de mais estrangeiros em Mianmar.
Até 14 de maio, aterrissaram em Yangun 16 aviões da entidade, e outros cinco devem chegar hoje.
Niskala explicou que gostaria de poder fretar mais aviões, mas que as condições, tamanho e restrições do aeroporto impossibilitam isso.
Por enquanto, foram distribuídas 180 toneladas de ajuda e se espera que em breve este número chegue a 240 toneladas.
O mais importante, segundo os responsáveis da Cruz Vermelha, é garantir o acesso à água potável, aos alimentos e ao refúgio dos desabrigados.
A instituição tem preparados 30 mil equipes de refúgio, dos quais só pôde distribuir 500 devido ao peso e às dificuldades do transporte.
Em relação às chuvas que caem de novo na região, a Cruz Vermelha se mostrou prudente, mas reconhece que a situação pode piorar.
Os responsáveis da Cruz Vermelha destacaram a necessidade de aprender com o desastre, e tentar que os birmaneses possam conhecer e imitar o sistema de alarme e de refúgios de emergência como os que conta Bangladesh, que contribuíram para reduzir consideravelmente o número de vítimas em fatos similares.
EFE
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