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Atualizada às 18h05
Os enfrentamentos entre partidários da maioria parlamentar libanesa e da oposição, liderada pelo Hisbolá, recomeçaram hoje na cidade de Trípoli e no Vale do Bekaa, enquanto os dirigentes políticos continuam se acusando.
Segundo fontes policiais, desde a explosão da violência na quarta-feira passada, primeiro em Beirute e mais tarde em outras regiões e localidades do país, pelo menos 58 pessoas morreram e 206 ficaram feridas, embora até o momento seja desconhecido o autor dos primeiros ataques.
Os enfrentamentos foram reproduzidos hoje em Trípoli, a principal cidade do norte do país, assim como próximo do principal posto fronteiriço sírio-libanês de Masna, fechado há dois dias por seguidores do dirigente da maioria parlamentar, Saad Hariri.
Apesar destes novos enfrentamentos, em Beirute continua a calma que se seguiu à retirada dos milicianos do grupo xiita Hisbolá na sexta-feira passada depois que o Exército decidiu satisfazer à exigência do grupo e não desmantelar sua rede de comunicações.
Além disso, nas montanhas de Aley e Chuf, ao sudeste do Líbano, não voltaram a ser registrados combates após os enfrentamentos de ontem entre membros da oposição e da maioria parlamentar.
Estes focos de violência coincidem com as contínuas acusações dos líderes políticos que se acusam de ser os responsáveis pelo transbordamento da situação.
Hoje, o ex-presidente do Líbano Amin Gemayel, um dos pilares da maioria, declarou que não haverá diálogo enquanto o Hisbolá não se comprometer a não voltar a pegar em armas para solucionar os problemas do país.
"Insistimos que, para que haja um diálogo, deve haver um compromisso claro e inequívoco de Hassan Nasrallah (dirigente do Hisbolá) perante o povo libanês, árabe e islâmico, e perante a Síria, Arábia Saudita e a opinião pública mundial, de não usar mais as armas para resolver assuntos internos", afirmou Gemayel em uma coletiva de imprensa.
Além disso, Samir Geagea, outro líder cristão a favor do governo, declarou, sobre isso, que Nasrallah "não poderá obter vantagens políticas mediante a força" e insistiu que o Governo não renunciará.
Já Michel Aoun, um dos poucos dirigentes cristãos aliados do Hisbolá, disse que não haverá estabilidade no Líbano se o Governo do sunita Fouad Siniora não renunciar.
Aoun explicou que o problema da crise não era o bloqueio da rota do aeroporto, fechada pelos milicianos do Hisbolá na quarta-feira passada, mas a atuação do atual Executivo.
O dirigente cristão, que ressaltou que se o atual gabinete de Siniora não renunciar, os combates serão retomados, voltou a exigir a formação de um Governo de união nacional e a reforma da lei eleitoral.
Além disso, acusou o Executivo de ter detonado a atual crise, em alusão à decisão de desmantelar a rede de telecomunicação do grupo xiita Hisbolá - líder da oposição - e de destituir o chefe da segurança do aeroporto.
No meio da intensificação da crise, alguns estrangeiros começaram a abandonar o país e pelo menos 200 já chegaram ao porto cipriota de Larnaca.
Segundo a imprensa libanesa, o embaixador da Arábia Saudita, o principal aliado árabe do Governo de Fouad Siniora, está entre os cidadãos estrangeiros que fugiram da crescente tensão, e que por enquanto os líderes políticos não parecem estar dispostos a fazê-la diminuir.
EFE
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