Primeiro avião americano de ajuda chega a Mianmar

12 de maio de 2008 • 06h29 • atualizado às 12h06
Fuzileiro naval norte-americano e soldado de Mianmar descarregam mantimentos de avião com ajuda humanitária
Fuzileiro naval norte-americano e soldado de Mianmar descarregam mantimentos de avião com ajuda humanitária
12 de maio de 2008
AP

Várias regiões de Mianmar seguem isoladas do mundo, dez dias depois da passagem do ciclone Nargis, admitiu a junta militar que governa o país e deseja controlar totalmente a distribuição de ajuda humanitária, no dia em que o primeiro avião americano pousou em Yangun.

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Um avião militar C-130 americano, com ajuda para os desabrigados, pousou nesta segunda-feira. Este foi o primeiro vôo de ajuda dos Estados Unidos que a junta militar birmanesa autorizou a entrar no país.

O ritmo da ajuda de emergência internacional para os 2 milhões de desabrigados se acelerou desde domingo, mas continua sendo muito inferior às gigantescas necessidades da vítimas.

O balanço oficial provisório é de pelo menos 62 mil mortos e desaparecidos, mas diplomatas ocidentais citam mais de 100 mil mortos.

Diante do tamanho da tragédia, o ministro birmanês do Planejamento Nacional e Desenvolvimento Econômico, Soe Tha, afirmou que o governo já chegou à maior parte das regiões arrasadas pelo Nargis, segundo o jornal oficial New Light of Myanmar. Porém, outras áreas do país prosseguem isoladas do mundo.

"Ainda restam zonas às quais as autoridades envolvidas não conseguem chegar. O material de socorro foi lançado com pára-quedas nas áreas inundadas onde os helicópteros não podem pousar", disse Soe Tha.

O ministro agradeceu às Nações Unidas e a todos os países pelas grandes doações para os desabrigados, mas reiterou que o governo birmanês controlará a distribuição da ajuda internacional.

"Aceitamos as ajudas de todos os países, mas a distribuição pode ser administrda por organizações locais", acrescentou.

A ajuda humanitária continua chegando a conta-gotas porque o regime militar birmanês, conhecido por sua paranóia e obcecado pela defesa de sua soberania, permanece muito reticente à possibilidade das operações de socorro serem dirigidas por estrangeiros.

A ONU, que ainda aguarda 24 vistos para que seus funcionários estrangeiros possam entrar em Mianmar, pediu agilidade ao governo birmanês para ajudar a salvar as vidas dos desabrigados.

A Cruz Vermelha anunciou que nove aviões da instituição com ajuda humanitária conseguiram entrar em território birmanês. A ONG Médicos Sem Fronteiras também conseguiu pousar seu primeiro avião em Mianmar.

O avião dos Estados Unidos, um dos países mais críticos em relação à junta birmanesa, transportou mais de 12 toneladas de material humanitário, principalmente material para purificação da água, mosquiteiros e cobertores para as vítimas.

O pouso ao avião americano é um grande acontecimento, já que há mais de uma década Mianmar é alvo de sanções de Washington e da União Européia.

Apesar da catástrofe devastadora, o governo birmanês garante que os eleitores compareceram em massa às urnas no sábado para votar no referendo sobre uma nova Constituição.

A votação, a primeira em Mianmar desde 1990, pretende, segundo a junta, abrir o caminho para "eleições plurais" em 2010. No entanto, a oposição birmanesa, liderada pela prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, pediu o voto pelo "não" por considerar que o novo texto constitucional reforça a supremacia do Exército

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