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Atualizada às 13h39
Depois de semanas de exortações implacáveis aos 53 milhões de habitantes do país para que cumprissem seu "dever patriótico" e aprovassem a Carta, a televisão estatal exibiu uma blitz propagandista para estimular os eleitores a irem às urnas.
"Vamos votar" e "Venha à votação" eram frases de canções entoadas por cinco animadas atrizes no ritmo de uma batida de disco na TV MRTV, controlada pelos militares.
A mensagem foi mais explícita na capa do jornal Nova Luz de Mianmar, o principal porta-voz do regime militar que tem governado esse país pobre do Sudeste Asiático com mão de ferro nos últimos 46 anos. "Aprovar a Constituição do Estado hoje é um dever nacional de todo o povo", assinalou o jornal.
Depois, o principal general de Mianmar, Than Shwe, fez sua primeira aparição na TV desde que o ciclone Nargis atingiu severamente o delta do Rio Irrawaddy, no sudoeste, e na antiga capital do país, Yangun. A TV mostrou Than numa seção eleitoral com outros generais na remota Naypyidaw, a nova capital de Mianmar, situada 400 km ao norte de Yangun.
Apesar de certo desalento pela decisão dos generais de manterem a votação apenas uma semana depois da morte e destruição causada pelo ciclone, a mensagem parece ter surtido efeito.
De 20 pessoas entrevistadas perto de seções eleitorais em Hlegu, 50 quilômetros a nordeste de Yangun, somente duas admitiram ter votado contra a Carta, que consolida a posição dos militares no poder e parte de sua "estratégia para a democracia".
"Não pertenço a nenhum partido político, mas votei 'não'", disse um homem, sussurrando, depois de lançar um olhar nervoso a sua volta para verificar se havia o risco de ser ouvido.
A Carta dá ao Exército uma em cada quatro cadeiras no Parlamento, o controle dos Ministérios mais importantes e o direito de suspender a Constituição quando quiser. Essas condições provocaram fortes críticas dos governos do Ocidente e grupos oposicionistas.
A votação em Yangun e no delta do Irrawaddy foi adiada por duas semanas. Essas regiões foram fortemente atingidas pelo ciclone, que pode ter matado até 100 mil pessoas e deixado 1,5 milhão de desabrigados.
Num país onde a população é aterrorizada pelo governo, não causou surpresa o fato de alguns dos eleitores que compareceram às urnas terem dito que estavam simplesmente cumprindo ordens. "Votei 'sim'. Foi o que me pediram pra fazer", disse à Reuters U Kyaing, 57 anos, do lado de fora de uma escola primária que serviu de seção eleitoral em Hlegu.
A maioria dos eleitores parecia desconfortável e mostrava desconhecimento do processo, algo compreensível, já que a última eleição foi em 1990 e os generais ignoraram o resultado quando a oposicionista Liga Nacional pela Democracia conquistou 80% das cadeiras.
Reuters
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