Chile: explosão de vulcão Chatén ajuda a conter lavas

06 de maio de 2008 • 17h57 • atualizado às 22h27
O vulcão Chaitén solta nuvem de fumaça
O vulcão Chaitén solta nuvem de fumaça
06 de maio de 2008
EFE

A explosão produzida hoje pelo vulcão Chaitén, no sul do Chile, transformou suas duas crateras em uma de 800 m de diâmetro, que conteve a lava lançada e evitou que essa escorresse em direção à localidade de mesmo nome, disseram especialistas e observadores.

Em erupção desde sexta-feira passada, o vulcão de 960 m lançou uma nuvem de fumaça, cinzas e material sólido, que alcançou 12 mil m de altura e pode ser visto de Puerto Montt, capital da região de Los Lagos, a 200 km de distância.

Por volta de 14h30 (15h30 em Brasília), uma segunda explosão, mais forte que a primeira, atingiu o vulcão, com uma coluna de fumaça de 20 mil metros de altura, segundo testemunhas.

A explosão obrigou à intensificação da evacuação dos que ainda permaneciam em Chaitén, enquanto a densidade da nuvem de cinzas obrigou a Marinha a levar seus navios mar adentro.

A polícia indicou que na região só havia 25 pessoas em um setor rural a nove km de Chaitén e outras 30 na mesma localidade, que se recusavam a sair.

O exército decidiu manter um pequeno contingente para ajudar os retardatários a escapar para a região de Aysén, mais ao sul, enquanto em Santiago a presidente chilena, Michelle Bachelet, convocou uma reunião do Comitê de Emergência de ministros e outras autoridades.

Como a lava escorreu para os vales, ela teria demorado 20 minutos para chegar a Chaitén, a dez quilômetros do vulcão, onde foi realizada uma operação para remover, por mar, as pessoas que permaneciam no local.

Segundo o Escritório Nacional de Emergência (Onemi), em Chaitén havia hoje 384 pessoas, entre elas 80 carabineiros, 15 soldados das Forças Armadas, pessoal da Capitania dos Portos, 50 militares e 10 funcionários do próprio órgão, além de jornalistas e alguns moradores que não querem deixar suas casas.

Mais de quatro mil habitantes de Chaitén foram evacuados nos primeiros dois dias de erupção para ilha Chiloé e à cidade de Puerto Montt. Também nesta segunda-feira teve início a retirada da população de Futaleufú, de 1.800 habitantes e 156 quilômetros ao nordeste de Chaitén, coberto por uma camada de 30 centímetros de cinzas.

A operação continuou nesta terça-feira através de uma caravana de ônibus enviada pelo Governo, que cruzará o território argentino para se deslocar até o norte e voltar a sólo chileno pela passagem Cardenal Samoré, a cerca de 900 quilômetros de Santiago.

A província de Palena, a 1.220 quilômetros de Santiago e cuja capital é Chaitén, não tem vias terrestres que a liguem ao resto do país. O recrudescimento da erupção nesta terça-feira deu início a uma rápida operação para evacuar a já quase fantasma localidade de Chaitén.

Ao som das sirenes, Carabineiros coordenaram o deslocamento das pessoas para o porto, onde os navios da Marinha aguardavam para fazer a evacuação.

O vulcão lançou fluxos piroclásticos, compostos de gases tóxicos, cinzas e fragmentos de rocha, em altas temperaturas, disseram vulcanólogos do Serviço Nacional de Geologia e Mineração encarregados de vigiar a situação.

"A situação é muito complexa", disse o intendente da região de Los Lagos, Sergio Galilea, à edição eletrônica do jornal La Tercera. "A ordem é se dirigir imediatamente ao porto, onde há barcos da Marinha esperando para efetuar a evacuação", disse o funcionário, acrescentando que a retirada "deve ser total, completa e absoluta".

O general da Força Aérea Hugo Peña confirmou, após um vôo sobre o vulcão, a expulsão de lava, embora tenha ela tenha ficado retida na cratera, enquanto outro tipo de material foi absorvido pelos rios da região.

O material que saiu do vulcão com maior força se deslocou pelo curso dos rios Chana e Blanco, sem alcançar nenhum centro povoado, disseram as autoridades.

Até as 11h30 (12h30 em Brasília), a situação parecia mais calma, porém as autoridades mantiveram a ordem de evacuação, temendo uma nova explosão, declarou Galilea aos jornalistas.

Os mais reticentes a abandonar o local foram alguns moradores, principalmente idosos que se negam a deixar seus lares, e os jornalistas, a quem os carabineiros advertiram de que, em caso de uma catástrofe maior, deverão assumir as conseqüências.

"É imprevisível o tempo em que o vulcão poderia começar a lançar lava", afirmou o diretor regional do Onemi, Rodrigo Rojas. O vulcanólogo Juan Callupi, no entanto, comentou que, apesar da aparente tranqüilidade que se seguiu à explosão de hoje, "o processo de erupção não pára", embora tenha dito que "a lava não traz grande perigo porque avança lentamente".

EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »