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Josef Fritzl vivia como avô bondoso, afirma jornal

28 de abril de 2008 11h38 atualizado às 11h58

"Enquanto a filha, Elisabeth, vivia um calvário sem fim presa com três de seus filhos em um porão, o monstruoso Josef Fritzl vivia na mesma casa como um avô bondoso", afirmou o jornal austríaco Kronen Zeitung sobre o homem de 73 anos que seqüestrou a própria filha durante 24 anos.

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Em Amstetten, cidade onde aconteceu o caso, os vizinhos interrogados descreveram Josef como um homem amável, educado, sempre disposto a ajudar os outros. Nesta segunda-feira, ele confessou ter mantido a filha no porão e ter tido sete filhos com ela, um deles falecido após nascer.

Com sua esposa Rosemarie, o criminoso teve ainda mais sete filhos, todos já adultos agora, e os vizinhos relembram que ele sempre os tratou muito bem. Contudo, ninguém nunca suspeitou da vida dupla de Josef, que segundo os amigos era um fã da pesca e de barcos a vela, indica o Kronen Zeitung.

"Ele construiu uma fantasia e todos acreditaram", afirmou o ministro austríaco do Interior, Gunther Platter. O eletricista de formação que trabalhava em uma empresa de materiais de construção idealizou e colocou em prática um plano altamente sofisticado.

Seita e adoção

Ao seqüestrar sua filha em 1984, explicou à polícia que ela havia sido levada por uma seita e, como prova, fez com que Elisabeth escrevesse uma carta, dirigida aos pais, pedindo que parassem de procurá-la. Pai autoritário, proibiu estritamente que todos visitassem o porão, alegando que se tratava de seu ateliê.

Todas as noites, levava comida para a filha e para três de seus filhos, enquanto que para os outros três orquestrou um plano para revelar sua existência e adotá-los como avô. Os três foram colocados, com poucos meses de vida, na porta de sua casa, junto a cartas escritas por Elisabeth. Uma delas, de 1993, dizia: "O bebê tem nove meses, terá uma vida melhor com seu avô e avó que comigo".

Heinz Lenze, funcionário dos serviços administrativos de Amstetten, reconheceu que os serviços sociais "nunca procuraram a casa cada vez que uma criança aparecia na sua porta". Os três bebês, dois meninos e uma menina, estão na escola e, segundo testemunhas, tiram boas notas.

Segundo um dos colegas de classe, entrevistado pelo canal de TV ORF, todos sabiam que a mãe havia desaparecido, mas ninguém comentava o assunto e a "avó tinha pedido que não se falasse sobre isso".

AFP
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