Morre Juliana de Holanda, mãe da rainha Beatrix

20 de março de 2004 • 13h02 • atualizado às 13h02

Juliana da Holanda, mãe da rainha Beatrix, morreu aos 94 anos hoje, sábado, no Palácio de Soestdijk, perto de Haya, em conseqüência de uma pneumonia, anunciou o Governo.

Juliana Louise Emma Marie Wilhemina de Orange-Nassau, coroada rainha dos Países Baixos em 6 de setembro de 1948, abdicou em nome de sua filha, a então princesa Beatrix, em 30 de abril de 1980, quando completou 71 anos.

Filha única da rainha Guillermina da Holanda e do príncipe Wladimir Albrecht Ernest, duque de Mecklemburgo, Juliana foi educada pela mãe, conhecida como "a rainha de ferro", de acordo com os princípios mais severos e puros do calvinismo.

Em 8 de setembro de 1936, foi anunciado em Haya seu casamento com o príncipe Bernard Lipe-Biesterfeld, a quem Juliana conheceu seis meses antes, nos Jogos Olímpicos de Inverno de Garmisch Partenkirchen (Alemanha).

Em 7 de janeiro de 1937, o casamento aconteceu, mas não sem levantar críticas dos holandeses, pela fama de "dom Juan" e da procedência alemã do príncipe.

No início da Segunda Guerra Mundial, em 10 de maio de 1940, depois da invasão alemã, se mudou para a Inglaterra, junto com o restante da família real. Depois foi para o Canadá, onde viveu até 1945, quando voltou para a Holanda.

Em 1947, devido a uma doença da rainha Guillermina, Juliana assumiu como regente, até a soberana abdicar em nome de sua filha, em 4 de setembro de 1948. Dois dias depois, foi coroada rainha da Holanda.

Após ocupar o trono por 32 anos, a rainha Juliana anunciou, em 31 de janeiro de 1980, sua intenção de abdicar em nome de sua primogênita.

O anúncio da abdicação coincidiu com o dia em que Beatrix completava 42 anos. Juliana escolheu a data de seu 71º aniversário, em 30 de abril de 1980, para realizar a cerimônia oficial.

Ao abdicar, fez um balanço de seu reinado e confessou que os três momentos mais amargos foram o exílio, durante a segunda guerra mundial; o nascimento de sua filha mais nova, que veio ao mundo cega e o escândalo que em 1976 envolveu seu marido, acusado de subornos da empresa Lockeed, o que quase custou-lhe o trono.

Em 8 de fevereiro de 1976, o então primeiro-ministro, Joop Uyl, denunciou que o príncipe Bernardo tinha aceito um milhão de dólares da companhia americana Lockeed, por informar favoravelmente o Parlamento para a compra de alguns aviões da citada empresa.

A rainha colocou o trono à disposição de seu povo e concordou em abdicar se fosse necessário. O Parlamento não o considerou e só exigiu que o príncipe fosse responsabilizado no futuro como esposo da rainha.

Durante seus 32 anos de reinado, Juliana de Holanda viu diversos Governos se sucederem no poder, como liberais, conservadores e socialistas. Manteve boas relações com todos os partidos, evitando sempre interferências políticas.

Como soberana, em 1949 assinou a ata da transferência da soberania à Indonésia; em 1954, o estatuto para o Reino dos Países Baixos, e em 1975, a Ata de Reconhecimento da República do Suriname.

Do ponto de vista familiar, também não faltaram problemas.

A rainha Juliana viveu a conversão de sua filha, a princesa Irene, ao catolicismo, em um país que durante séculos manteve guerras de cunho religioso. Também foi conturbado o casamento da então princesa Beatrix, herdeira ao trono, com um alemão que tinha integrado as juventudes hitlerianas.

Teve quatro filhas com o Príncipe Bernard. A mais velha é Beatrix, a atual rainha, que tem 66 anos e está casada desde 1966 com o príncipe Claus de Amsberg.

Depois vieram a princesa Irene, que nasceu em 1939 e é casada com o príncipe Hugo de Borbón-Parma; a princesa Margaret, nascida em 1943 é casada com Pedro de Vollenhoven, e a princesa Maria Cristina, nascida em 1947 que é casada com George Willem.

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