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 EUA visaram ao Iraque após 11/9, diz ex-assessor
19 de março de 2004 22h20

O ex-conselheiro antiterrorismo da Casa Branca, Richard Clarke disse que o governo de George W. Bush considerou bombardear o Iraque em retaliação aos ataques de 11 de setembro de 2001 apesar de estar claro que a Al-Qaeda tinha sido responsável pelos atentados no World Trade Center e no Pentágono.

Clarke, que dirigia o conselho de cybersegurança, que coletava informações de inteligência na Internet, disse em entrevista ao programa 60 Minutes da rede de televisão CBS ter ficado surpreso quando autoridades do governo se voltaram imediatamente para o Iraque e não para a Al-Qaeda e Osama bin Laden. O programa vai ao ar no próximo domingo.

"Ees conversaram sobre o Iraque em 11 de setembro e continuaram a falar do Iraque em 12 de setembro", disse Clarke. O ex-conselheiro contou que estava passando informações para o presidente Bush, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, e para outras autoridades do primeiro escalão após os devastadores ataques.

"Rumsfeld dizia que precisávamos bombardear o Iraque. Todos nós dissemos 'não, não. A Al-Qaeda está no Afeganistão"', lembra Clarke, "e Rumsfeld disse, 'Não existem bons alvos no Afeganistão e há uma série de bons alvos no Iraque".

Clarke, que trabalhou para quatro presidentes, deixou o cargo após as funções do conselho de cybersegurança terem sido transferidas para o Departamento de Segurança Interna. "Acho que eles queriam acreditar que existia uma conexão entre o Iraque e a Al-Qaeda", afirmou.

"Mas a CIA estava lá, o FBI estava lá, eu estava lá, e nós dissemos 'Estamos analisando esta questão há anos. Por anos analisamos e simplesmente não existe conexão'", concluiu.

Reuters
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