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Domingo, 27 de abril de 2008, 17h54 Atualizada às 18h00

EUA: rede previne suicídio de veteranos de guerra

Nancy Nosewicz estava ocupada atendendo a telefonemas na linha de assistência urgente a veteranos de guerra quando recebeu uma ligação de um funcionário do Departamento de Assuntos de Veteranos de Guerra em Topeka, Kansas, alguns dias atrás.

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O funcionário estava conversando em outra linha com um veterano do exército, de 55 anos, que havia telefonado para se queixar de seus benefícios; depois de alguns minutos de conversa, o antigo soldado, bêbado e chorando, começou a repetir que não tinha mais motivos para viver.

O funcionário pediu ajuda a Nosewicz. O veterano, chamado Robert, estava embaralhando palavras e chorava audivelmente. Ele contou a Nosewicz que estava morando nas ruas e que queria simplesmente "cair no rio e nunca mais levantar".

Ela deu o número de Robert a um assistente e instruiu que ele localizasse seu endereço e pedisse ajuda à polícia da cidade em que o veterano vive.

A cadeia de assistência se assemelhava a uma prova de revezamento, com cada corredor só soltando o bastão quando estava certo de que o seguinte o tinha firmemente em mãos.

A linha de assistência a veteranos é parte de um esforço especializado do departamento de veteranos a fim de prevenir suicídios, ao permitir que conselheiros pela primeira vez verifiquem instantaneamente o histórico médico do veterano e combinem a resposta de emergência a serviços posteriores de acompanhamento prestados no local de residência do ex-soldado.

O sistema foi desenvolvido depois de anos de críticas ao departamento por sua negligência a dezenas de milhares de homens e mulheres feridos a serviço do país que retornaram de áreas de combate como o Iraque e o Afeganistão.

Na segunda-feira, um processo judicial coletivo aberto por grupos de veteranos de guerra teve seu julgamento iniciado em San Francisco; os queixosos acusam o departamento de um "colapso sistêmico" e mencionam a longa demora para aprovação de pagamentos de benefícios aos veteranos e as falhas no tratamento concedido a soldados que foram reformados e apresentavam risco de suicídio.

Kerri Childress, porta-voz do departamento de veteranos, disse na segunda-feira que acontecem em média 18 suicídios ao dia entre os 25 milhões de veteranos de guerra americanos, e que mais de um quinto desse total acontece a homens e mulheres sob tratamento de seu departamento.

O serviço de assistência telefônica está ativo desde agosto e tenta responder às necessidades de pelo menos alguns dos veteranos em crise. Em seus oito meses de atividade, atendeu a mais de 37,2 mil telefonemas e coordenou mais de 720 resgates, enviando, de seu pequeno escritório aqui no interior do Estado de Nova York, profissionais de serviços de emergência estacionados em diversos locais do país para socorrer pessoas que se preparavam para pular de uma ponte, tinham armas carregadas nas mãos ou seguravam vidros de remédios repletos de pílulas.

Paul Sullivan, diretor da Veterans for Common Sense, uma das organizações envolvidas no processo, disse, sobre o departamento, que "estou satisfeito por eles estarem respondendo. Mas é preciso fazer muito mais, para que os veteranos não fiquem sem assistência médica e não tenham de esperar um tempo longo demais pelos seus benefícios".

Sullivan diz que os pacientes suicidas nem sempre recebem assistência oportuna. Ele mencionou o caso de Jonathan Schulze, que foi rejeitado duas vezes em um hospital do departamento de veteranos antes de se suicidar, em janeiro de 2007.

Mais de 600 mil veteranos estão esperando pelo início dos pagamentos de seus benefícios, segundo Sullivan, e a espera média supera os seis meses.

Os especialistas concordam em que a probabilidade de suicídio entre os veteranos de guerra é maior, talvez duas vezes maior, do que entre as pessoas que jamais serviram nas forças armadas.

Enquanto isso, um estudo divulgado na semana passada pela Rand, uma organização de pesquisa, estima que cerca de 20% dos veteranos do Iraque e Afeganistão apresentam sintomas de distúrbio de estresse pós-traumático, o que eleva o risco de suicídio.

No entanto, apesar das falhas sistêmicas que possam existir, a equipe de assistentes sociais, especialistas em comportamento compulsivo e enfermeiras que cuidam do serviço telefônico que funciona em período integral conseguem registrar pelo menos algumas vitórias a cada dia.

Uma característica única desse serviço, disse a Dra. Janet Kemp, coordenadora nacional de prevenção ao suicídio, no departamento, é que os conselheiros agora têm acesso rápido a fichas médicas, que eles utilizam para colocar os veteranos em contato com recursos de aconselhamento e terapia localizados nas áreas em que os ex-soldados vivem.

O modelo evoluiu com base em um novo programa de pesquisa sobre prevenção do suicídio, pago pelo departamento. "Por anos as pessoas acreditavam que fazer perguntas sobre suicídio poderia ajudar a colocar essa idéia na cabeça dos pacientes, mas agora nós sabemos que isso não procede", afirmou Kemp, que viaja pelo país ministrando treinamento aos funcionários do departamento.

O departamento de veteranos está investindo US$ 3 milhões na operação da linha de assistência telefônica, em seu primeiro ano, de acordo com o porta-voz Daniel Ryan, bem como mais US$ 2,9 milhões para o custeio de um centro de pesquisa de saúde mental no centro médico do departamento em Canandaigua.

Ryan disse que cerca de metade dos telefonemas à central de assistência, no número 1-800-2738255, vinham de veteranos de guerra, e que havia uma divisão meio a meio entre os veteranos do Vietnã e os veteranos do conflito do Iraque.

Familiares e amigos de veteranos também costumam telefonar freqüentemente, em busca de orientação. Cerca de 30% dos veteranos são mulheres.

Tradução: Paulo Migliacci ME

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The New York Times A linha de assistência a veteranos é parte de um esforço para prevenir suicídios A linha de assistência a veteranos é parte de um esforço para prevenir suicídios

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