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Al-Qaeda assume autoria dos atentados em Madri

11 de março de 2004 16h47 atualizado às 16h47

O furgão foi encontrado pela polícia pouco antes do anúncio da Al-Qaeda. Foto: AP

O furgão foi encontrado pela polícia pouco antes do anúncio da Al-Qaeda
Foto: AP

A rede terrorista árabe Al-Qaeda assumiu a autoria dos atentados em Madri, que mataram 192 pessoas e deixaram 1.421 feridas. A organização de Osama Bin Laden, responsabilizada pelos ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, enviou uma carta (leia a íntegra) ao jornal Al-Quda Al-Arabi, com sede em Londres. A Al-Qaeda também diz que foi a autora do ataque suicida contra uma loja maçônica em Istambul, na terça-feira. O diretor do jornal, Abdel Bari Atwan acredita que a carta é autêntica, já que usa "linguagem similar" a outras mensagens da rede.

Um terrorista suicida atacou um dos quatro trens atingidos pelos atentados, segundo a rádio Cadena Ser, que cita fontes da polícia antiterrorista, não confirmadas imediatamente pelo ministério do Interior. "Fontes da luta antiterrorista informaram à SER que um terrorista suicida viajava em um dos vagões, mas o Interior (ministério) não confirmou", revela a página na internet da rádio, a principal da Espanha, de propriedade do grupo de comunicação Prisa, do jornal El País.

Interrogado pela AFP, um porta-voz do ministério do Interior afirmou: "não há nada que indique a presença de um terrorista suicida". A presença de um terrorista suicida reforçaria a tese de um ataque islamita, em detrimento de uma ação do grupo separatista Basco ETA.

O Governo espanhol está analisando "com grande cautela" a carta. Fontes do Executivo informaram que o gabinete presidido por José María Aznar já teve conhecimento da correspondência e insistiram na conveniência de analisar detalhadamente a possível autenticidade da mesma.

A reivindicação dos atentados de Madri pela Al-Qaeda em um comunicado enviado ao jornal não parece com o modo de operar da rede terrorista islamita, disse um alto funcionário americano. "Não podemos confirmar no momento a autenticidade desta reivindicação (...) mas isto parece distante do modus operandi" da Al-Qaeda, disse o responsável, que pediu para não ser identificado.

A Al-Qaeda sempre se vangloriou dos atentados cometidos no passado, mas também sempre resistiu a reivindicá-los diretamente, destacou o funcionário.

Furgão suspeito
Um pouco antes desse anúncio, o ministro do Interior da Espanha, Ángel Acebes, havia informado que a polícia encontrou um veículo supostamente relacionado com os atentados de hoje em Madri com sete detonadores e uma fita em árabe com versículos do Alcorão.

Segundo o ministro, o veículo encontrado na localidade de Alcalá de Henares, em Madri, tinha sido roubado no dia 28 de fevereiro. O grupo terrorista basco ETA era apontado como o principal suspeito, mas a hipótese de atuação da Al-Qaeda não estava descartada.

O ministro acrescentou que nos atentados de hoje foram usadas doze mochilas com um total de mais de cem quilos de explosivos, principalmente dinamite.

Investigação
A primeira opção na lista de suspeitos era obviamente o ETA, o grupo terrorista que reivindica a independência do País Basco, um enclave no nordeste da Espanha, junto à França. O ministro do Interior, Angel Acebes, chegou a afirmar que o governo não tem nenhuma dúvida de que o grupo está por trás dos atentados.

No entanto, o tamanho da ação parecia desproporcional comparada com o maior ataque basco: 21 mortos, quase dez vezes menos. Na última vez que o grupo atacou uma estação de trem, em 1979, seis pessoas morreram em Madri. O porta-voz do Batasuna, o partido separatista basco ilegalizado por suas ligações com a organização, nega que os atentados sejam obra sua. Arnaldo Otegi atribuiu os ataques à "resistência árabe".

Mas duas provas apontavam para a autoria do ETA: o material empregado nos ataques é do mesmo tipo utilizado habitualmente pelos bascos e há pouco mais de um mês dois de seus membros foram presos com mais de 500 quilos de explosivos. Gorka Vidal Alvaro e Izkur Badillo tentavam entrar com dinamite e cordão explosivo em Madri para supostamente sabotar a festa de casamento do príncipe herdeiro da Espanha, em maio.

Redação Terra