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Domingo, 20 de abril de 2008, 09h06 Atualizada às 09h05

Fracassa reforma de memorial polêmico sobre 11/9

Um esforço para alterar substancialmente o memorial oficial do Arizona quanto ao 11 de setembro fracassou, pondo fim a meses de rancoroso debate sobre declarações que ele conteria, vistas por alguns como antipatrióticas ou irrelevantes aos ataques de sete anos atrás.

» Reforma de memorial não irá adiante

O memorial, conhecido como "Moving Memories", é um grande disco de concreto a céu aberto, encimado por um anel elevado de aço inoxidável com 54 frases inscritas a laser. Como outros monumentos evocativos do 11 de setembro, ele gerou discussões sobre o significado do ataque e como evocá-lo, algo que era exatamente o propósito do projeto, segundo os artistas que o conceberam.

O memorial, disseram eles, tinha por objetivo evocar as diversificadas, contraditórias e mutáveis emoções despertadas pelos ataques do 11 de setembro. À medida que o sol se move por sobre o monumento, a luz atravessa as frases inscritas e as projeta no chão, inicialmente indistintas e depois legíveis, até que se vão. As frases, recolhidas pelos artistas principalmente de recortes de jornais locais, incluem informações nada controversas, como "216 bombeiros do Arizona ajudaram no WTC" e "Gary Bird, 51, do Arizona, morreu no ataque", uma referência ao único cidadão do Estado que perdeu a vida nos atentados.

Mas outras frases são mais provocativas, entre as quais "devemos bombardeá-los também", "medo de estrangeiros" e "não se vence batalhas contra terroristas com mais batalhas". Pouco depois que o monumento foi inaugurado, em 11 de setembro de 2006, em uma praça perto da sede do governo estadual, entre dezenas de outros monumentos e memoriais, surgiu oposição feroz, especialmente de parte dos conservadores, que se opunham a algumas das frases, como "ataque aéreo equivocado dos EUA mata 46 civis em Uruzgan" e "líder de organização terrorista fala ao público norte-americano".

A comissão concordou em remover as duas frases, e decidiu acrescentar seis outras, entre as quais "continuaremos unidos", "vamos lá", e "Deus abençoe a América". Um painel de apresentação será acrescentado para explicar a intenção da peça.

Mas o deputado estadual John Kavanagh, republicano e ex-oficial de segurança da Autoridade Portuária de Nova York, proprietária do World Trade Center, disse que as mudanças eram insuficientes. Ele apresentou um projeto de lei que pedia a retirada de todas as frases, que seriam substituídas por uma cronologia dos acontecimentos do 11 de setembro. Posteriormente, o projeto foi emendado, prevendo a eliminação apenas das 12 declarações vistas como mais ofensivas.

Os artistas "desejavam provocar reflexão e discussão, e a maioria dos moradores do Arizona desejava um simples memorial, ao qual pudessem ir para lembrar, meditar e orar", disse Kavanagh. "É aí que está o problema". O projeto foi aprovado na Assembléia estadual na terça-feira, mas um empate no Senado o eliminou. Kavanagh afirma que não pretende reapresentar a medida.

Os defensores do memorial dizem que a derrota confirma o que descrevem como um meticuloso processo de solicitação e estudo de diversas opiniões sobre como os ataques deveriam ser lembrados.

"O que houve no 11 de setembro afetou todo mundo de muitas maneiras, e nos dividiu de muitas maneiras", disse Billy Shields, presidente da comissão bipartidária que realizou diversas audiências públicas antes e depois da seleção do projeto. "É irônico, porque o acontecido serviu para nos unir muito, logo no começo".

Tradução: Paulo Migliacci ME

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The New York Times "Devemos bombardeá-los também" é uma das 54 frases inscritas a laser do memorial

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