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Domingo, 27 de abril de 2008, 12h03 Atualizada às 12h03

Homem conta detalhes do assassinato de namorada

O interrogatório durou mais de 15 horas. Refeições do McDonald's e comida chinesa foram servidas, e os dois suspeitos do assassinato de uma mulher de Massachusetts puderam até cochilar. Mas, pouco a pouco, o trabalho de uma equipe de detetives do Bronx levou os dois a mudar de posição, de completa negação de qualquer envolvimento no caso até a confissão completa de culpa, informaram as autoridades em entrevistas na quarta-feira.

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Os detetives se alternavam entre uma sala de interrogatório sem janelas e um escritório no 43° distrito policial, em Castle Hill, enquanto conversavam com os suspeitos, Carlos Cruz e seu primo, Devon Miller, em um procedimento que os investigadores vêem como caso exemplar de obtenção de confissões.

Entre as 14h da segunda-feira e as 6h da terça, os suspeitos começaram a fornecer descrições cada vez mais detalhadas dos acontecimentos, e a admitir mais e mais seus papéis no caso de homicídio pago. Por fim, e em separado, os dois contaram a mesma história: Cruz havia oferecido US$ 1 mil a Miller para que este matasse sua ex-namorada, Chelsea Frazier, 18 anos, e o ferisse, em uma rua tranqüila perto da costa, no Bronx, encenando um assalto.

"Se não tivéssemos a disponibilidade de pessoal que por acaso tínhamos naquela noite, teria sido muito difícil trabalhar no caso", disse o detetive Jalin Bulding, o encarregado da investigação, ao descrever o sucesso. "Mas tínhamos muitos detetives, tínhamos dois caras da força-tarefa de homicídios, tínhamos os detetives que em geral trabalham aqui".

Enquanto os detetives ouviam os relatos dos suspeitos - entre refeições e cochilos - até 12 outros policiais conduziam verificações de computadores nos carros associados aos dois homens, entrevistavam seus parentes e vasculhavam as ruas.

A investigação começou logo depois do homicídio, às 16h de domingo, quando o detetive Nicholas Speranza, da força-tarefa de homicídios do Bronx, foi ao hospital falar com Cruz, que havia recebido um tiro na perna direita. Cruz disse que ele e Frazier haviam sido assaltados por um desconhecido, quando pararam o carro em uma rua isolada. O bebê do casal, Alijah, 14 meses, estava com eles.

Os detetives fizeram anotações e pediram que Cruz voltasse à delegacia para ajudá-los na investigação, o que ele fez. Àquela altura, dizem os detetives, o caso já havia começado a ser solucionado.

Cruz, 36 anos, disse que sua história de assalto por um desconhecido não era verdade. Foi então que ele mencionou o primo, Miller, 25 anos, que os detetives haviam visto no hospital, pela primeira vez. Ele disse que Miller deveria tê-lo encontrado no local em que parou o carro, mas que em lugar disso o havia roubado e atirado em Frazier.

"Carlos admitiu primeiro que a história que ele contou não era verdade", disse o tenente Kevin Moroney, comandante dos detetives do 43° distrito. "E tentou implicar seu primo como assaltante, dizendo que havia sido traído". Bulding disse: "Era um começo". Os detetives decidiram insistir quanto à inconsistência.

Miller, que havia ido à delegacia com outros parentes, subiu à sala de detetives. Inicialmente, contou aos investigadores que estava com a namorada na hora do assalto. Mas quando foi informado sobre o relato de Cruz, que segundo os detetives era mais um irmão que um primo para ele, começou a admitir sua participação.

Os detetives Robert Martin e Michael Garrity conversavam com Miller em um escritório enquanto Bulding, Speranza e o detetive Michael Tozzi falavam com Cruz em outro.

Eles comparavam as sucessivas versões, para construir o caso passo a passo. Cruz e Miller ofereceram detalhes que só podiam ser conhecidos por alguém familiarizado com o crime, segundo os detetives. Cada um deles começou cada vez mais a atribuir a culpa ao outro, e a apontar o outro como autor dos disparos.

Por fim, depois de horas de conversa que alternou momentos dramáticos e momentos banais, Miller enfim admitiu que havia atirado em Frazier, disseram os detetives.

Em seu indiciamento, no tribunal do Bronx, às 12h30 da quarta-feira, Cruz e Miller estavam agrilhoados, lado a lado, e mantiveram o silêncio. Mas um promotor público, Douglas Meisel, leu as declarações que haviam prestado aos detetives.

Miller declarou aos detetives inicialmente que o primo queria matar a namorada; depois, disse que havia assistido ao ataque; por fim, admitiu ter sido o autor dos disparos.

Quanto a Cruz, suas declarações alternavam pesar e expressões de inocência ultrajada. Mas ele terminou por admitir, como leu o promotor, que "o plano era que nós dois levássemos tiros, ela de maneira mais severa que eu", teria dito Cruz. Posteriormente, ele afirmou que "eu planejei que Devon atirasse em Chelsea e atirasse em mim".

Nas suas declarações, os dois discordaram quanto a quem havia obtido a pistola Smith & Wesson 9 mm usada no crime. Cada qual disse que o outro a havia obtido.

Depois das confissões, disseram os detetives, Miller levou Martin a um estacionamento na esquina da avenida Willis com a rua 138, no Bronx, onde a arma supostamente usada no crime foi localizada dentro de um saco plástico, no chão, perto de um carro. Miller a havia abandonado lá, disse ele aos detetives, na esperança de que alguém a encontrasse e levasse embora. Mas a arma ficou no chão por um dia e meio sem que ninguém a apanhasse, o que surpreendeu os detetives.

"O velho ditado é que uma arma não passa mais de 10 segundos no chão, no Bronx", disse um dos detetives.

Tradução: Paulo Migliacci ME

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AP Carlos Cruz, 36 anos, namorado de Chelsea, confessou envolvimento no crime Carlos Cruz, 36 anos, namorado de Chelsea, confessou envolvimento no crime

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