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Em um discurso na Assembléia Geral da ONU, o papa também disse que a comunidade internacional teve algumas vezes que intervir quando um país não pôde proteger seu povo de "graves violações dos direitos humanos".
O papa, que chegou de Washington para a segunda parte de sua visita aos Estados Unidos, é o terceiro pontífice na história a discursar na Assembléia da ONU, com sede em Nova York.
Falando em francês e em inglês do parlatório de mármore verde da Assembléia Geral, o papa tratou em seu discurso de vários assuntos, entre os quais a globalização, os direitos humanos e o meio ambiente.
A comunidade internacional precisa ser "capaz de responder às demandas da família humana por meio de regras internacionais compulsórias", disse o pontífice, 81, que fez seu pronunciamento após se reunir reservadamente com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Segundo Bento XVI, a noção de consenso multilateral estava "em crise porque continua subordinado à decisão de alguns poucos, ao passo que os problemas do mundo exigem intervenções na forma de ações coletivas adotadas pela comunidade internacional".
Apesar de o Papa não ter mencionado nenhum país especificamente, essa pareceu ser uma referência aos EUA, que deflagraram a invasão do Iraque em 2003 mesmo depois de o Conselho de Segurança ter se recusado a sancionar a ação militar.
O Vaticano opôs-se veementemente ao uso da força naquele caso.
O líder da Igreja Católica defendeu a realização de "uma busca mais aprofundada por formas de evitar e administrar conflitos explorando todos as alternativas diplomáticas e dando atenção e incentivo mesmo ao mais insignificante sinal de diálogo ou desejo de reconciliação".
Em uma aparente referência ao conflito na região sudanesa de Darfur, o papa disse que todos os países do mundo tinham o "dever primário" de proteger seus cidadãos das violações dos direitos humanos e das crises humanitárias. Mas ressaltou que, em alguns casos, justificava-se uma intervenção externa.
"Se um determinado Estado não consegue garantir esse tipo de proteção, a comunidade internacional precisa intervir com as ferramentas jurídicas fornecidas pela Carta das Nações Unidas e por outros mecanismos internacionais," afirmou.
Ainda na sexta-feira, Bento XVI, que nasceu na Alemanha, deve visitar uma sinagoga de Nova York pouco antes do início dos festejos da Páscoa judaica.
O pontífice também deve comparecer a uma paróquia de Manhattan fundada por imigrantes alemães, em 1873.
Bento XVI desembarcou em Washington na terça-feira passada para realizar sua primeira visita aos EUA após ter sido eleito papa.
Na quinta-feira, o líder católico realizou um encontro inesperado com vítimas de abusos sexuais cometidos por padres em um esforço para sanar as feridas deixadas por um escândalo que manchou profundamente a imagem da Igreja no país.
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