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Argentinos fazem "panelaço" nas ruas contra governo

26 de março de 2008 01h24 atualizado às 02h23

Milhares de pessoas participaram na noite desta terça-feira de um "panelaço" contra a presidente Cristina Kirchner e a favor da greve no setor agropecuário, o que provocou confrontos entre opositores e partidários do governo.

O protesto em Buenos Aires, que ocupou a Praça de Maio e vários bairros da capital, foi acompanhado por manifestações em diversas cidades das principais províncias agrícolas da Argentina, como Santa Fe, Córdoba e Tucumán.

No início da madrugada, "piqueteiros" governistas atacaram os manifestantes na Praça de Maio, o que provocou correria.

"Estão contra o povo, só defendem seus bolsos", disse um "piqueteiro" enquanto seus companheiros dispersavam o protesto na Praça de Maio, protagonizado por muitas pessoas da classe média.

Um manifestante foi agredido e sangrava na região da Praça de Maio, mas a polícia não deteve ninguém.

Também ocorreram confrontos diante da residência presidencial de Olivos, no norte de Buenos Aires, onde alguns manifestantes tentaram forçar o portão de entrada, protegido por policiais federais.

O protesto foi apoiado pela principal líder da oposição, Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, que questiona o modelo econômico de câmbio elevado e forte taxação das exportações.

A greve dos agricultores foi deflagrada pela decisão do governo de elevar em entre 35% e 44% os impostos sobre as exportações da soja.

"O campo está de pé. Não aos impostos abusivos", diziam cartazes na Praça de Maio.

Na noite de hoje, Cristina Kirchner criticou duramente a greve nacional dos agricultores e garantiu que não cederá a qualquer extorsão, no 13º dia de paralisação do setor.

"Não vou me submeter a qualquer extorsão", advertiu a presidente em um ato na Casa de Governo.

Os agricultores reagiram às palavras de Kirchner afirmando que seguirão em greve por tempo indeterminado, e disseram que manterão os bloqueios nas principais estradas do país.

Kirchner defendeu a política agropecuária oficial, em particular o incremento dos impostos sobre as exportações de soja, e afirmou que os produtores sempre estão dispostos a "socializar" as perdas, mas nunca os ganhos.

O movimento tem como foco principal o rico Pampa úmido, a fértil região central do país, terceiro exportador mundial de soja e o primeiro em óleos e farinhas de oleaginosas.

O valor da nova colheita de soja, considerada ''o ouro verde'' do século XXI, foi estimado em 24 bilhões de dólares, e as exportações do grão devem alcançar 13 bilhões de dólares.

A greve tem provocado crescente tensão entre os agricultores, que fecham várias estradas, e os caminhoneiros, que já anunciaram que não aceitarão os bloqueios.

Sobre um total de meio milhão de agricultores em todo o território, milhares deles continuavam montando guarda nas rotas, entre elas a 14, conhecida como Mercosul, por onde transitam os caminhões com mercadorias de Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil.

O movimento, que impede a chegada de produtos agrícolas argentinos ao Brasil, já ameaça o abastecimento no lado brasileiro.

AFP
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