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China envia tropas para o Tibete

20 de março de 2008 16h00 atualizado às 19h20

Milhares de soldados foram vistos em Lhasa hoje, em meio a notícias de uma grande escalada militar e de declarações de Pequim admitindo pela primeira vez que manifestantes pró-Tibete foram atingidos pelas tropas chinesas.

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A agência de notícias oficial Xinhua informou que a polícia atirou em quatro pessoas no fim de semana passado, em uma área tibetana no sudoeste da China. O Dalai Lama declarou-se temeroso de que os violentos distúrbios tenham resultados em ainda mais vítimas.

Longos comboios militares foram vistos indo em direção ao Tibete, enquanto tropas chegavam a províncias próximas, depois de uma semana de violentos protestos contra o controle chinês sobre a região do Himalaia, afirmaram testemunhas, ativistas e reportagens.

"Vimos um grande comboio de veículos militares carregando tropas", disse hoje o jornalista alemão Georg Blume, que trabalha para o jornal alemão Die Ziet e está na capital tibetana.

"Um comboio tinha aproximadamente dois quilômetros de extensão, com cerca de 200 caminhões. Cada um levava 30 soldados, o que significa que há por volta de 6 mil militares em cada comboio", explicou.

Blume e outra testemunha que também está em Lhasa afirmaram ter visto forças de segurança indo de casa em casa na capital tibetana. A semana de protestos contra os 57 anos de controle chinês sobre o Tibete começou com violentos enfrentamentos em Lhasa, na última sexta-feira.

Os protestos se espalharam para províncias chinesas próximas, principalmente aquelas com considerável presença de grupos de origem tibetana.

A China afirma que os manifestantes mataram 13 civis inocentes em Lhasa e nega ter usado a força para matar e acabar com os protestos. Líderes tibetanos no exílio dizem que cerca de 100 pessoas foram mortas pela repressão chinesa.

O Dalai Lama, líder espiritual do Tibete, que fugiu da província depois de um fracassado levante contra o governo chinês em 1959, expressou suas preocupações hoje em relação às pessoas que teriam sido vítimas das forças de segurança chinesas durante as manifestações.

"Não sabemos números exatos. Alguns dizem seis, outros dizem cem, mas os locais foram isolados. Há movimento de tropas chinesas. Estou realmente preocupado com as mortes que podem ter ocorrido", disse o Dalai Lama, que mora exilado na Índia desde que deixou o Tibete.

A Xinhua informa também que as forças de segurança atiraram e mataram quatro manifestantes "para se defender", no último domingo, durante protestos no distante condado tibetano de Ngawa, na província de Sichuan.

Grupos ativistas, no entanto, garantem que pelo menos oito pessoas foram mortas pelas forças de segurança nas manifestações de Ngawa. Alguns divulgaram fotos de cadáveres com perfurações de balas para provar que suas acusações contra o governo chinês procedem.

O conflito tibetano se transformou em um desafio diplomático para a China, a pouco mais de quatro meses da abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, evento que as autoridades do país comunista tinham a intenção de usar como vitrine de um país harmonioso e organizado.

Nenhum governo pediu o boicote dos Jogos ainda, mas enfrentam fortes pressões internacionais para resolver o conflito de maneira pacífica e estabelecer o diálogo com o Dalai Lama.

Como parte desse movimento, a secretária de Estado americana Condoleezza Rice fez um apelo à China para que o país estabeleça um diálogo aberto. Condoleezza telefonou na quarta-feira para o ministro das Relações Exteriores chinês, Yang Jiechi, informou o departamento de Estado.

Entretanto, dialogar é tudo o que a China não tem feito até agora, principalmente depois que o porta-voz de Yang, Qin Gang, se referiu ao Dalai Lama como um "separatista" duas-caras que quer a independência do Tibete - embora seja notório que o líder espiritual budista tenha deixado de exigir a independência da província, passando a pedir apenas autonomia cultural e o fim da repressão chinesa.

AFP
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