Vaticano desmente Bin Laden sobre "cruzada"

20 de março de 2008 • 09h25 • atualizado às 10h36
O Papa Bento XVI benze ânfora contendo óleo sagrado durante missa que celebrar o início das comemorações da Páscoa
O Papa Bento XVI benze ânfora contendo óleo sagrado durante missa que celebrar o início das comemorações da Páscoa
20 de março de 2008
AP

O Vaticano rejeitou na quinta-feira a acusação feita por Osama bin Laden de que a publicação de caricaturas alusivas ao profeta Maomé seria parte de uma "nova cruzada" envolvendo o papa Bento XVI.

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"Essas acusações são totalmente infundadas", disse o porta-voz Federico Lombardi, reagindo à gravação divulgada na Internet pelo líder da Al-Qaeda por ocasião do aniversário de Maomé.

O militante de origem saudita afirmou que a Europa seria punida pelas caricaturas, publicadas inicialmente em setembro de 2005 num jornal regional da Dinamarca e reproduzidas em outras publicações no ano seguinte, o que provocou uma violenta onda de protestos no mundo islâmico.

Em fevereiro, vários jornais dinamarqueses voltaram a republicar uma das caricaturas, em solidariedade ao cartunista, depois que três homens foram presos sob suspeita de preparar sua morte. O incidente provocou uma nova onda de protestos muçulmanos.

"Sua publicação desses desenhos - parte de uma nova cruzada em que o papa do Vaticano teve um papel significativo - é uma confirmação da sua parte de que esta guerra continua", disse Bin Laden, dirigindo-se "aos que são sábios na União Européia".

Lombardi afirmou não ficar surpreso com as acusações de Bin Laden. "É natural pensar que ele iria juntar o Vaticano e o papa com todos esses inimigos percebidos. Mas isto não é correto", afirmou.

Ele lembrou que o próprio papa se apressou em condenar as caricaturas dinamarquesas e que, de forma mais geral, fez críticas a qualquer tipo de representação ofensiva a figuras religiosas.

O padre porta-voz também lembrou que recentemente Bento 16 estabeleceu um diálogo oficial e permanente com líderes islâmicos.

Em 2006, o pontífice alemão atraiu protestos por fazer uma citação que aparentemente atribuía um caráter violento ao Islã.

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