O pedido de Chantal Sébire à Justiça não é inédito. A polêmica da eutanásia volta de tempos em tempos à mídia francesa depois que, em 2003, o drama do bombeiro Vincent Humbert comoveu o país. O jovem de 20 anos sofrera um grave acidente de carro em 2000 e por conseqüência ficou paralítico, mudo e quase cego, mas manteve-se lúcido.
» Veja fotos de Chantal após a doença 
» Chantal: me recuso a aceitar meu estado
» Procurador nega eutanásia; decisão sai 2ª
» Fórum: opine sobre o tema da eutanásia
Dois anos depois, sem nunca ter saído do hospital onde permaneceu internado em Berck, no norte francês, Vincent desenvolveu uma técnica de comunicação com a mãe: com as mãos dadas, ela recitava o alfabeto e ele apertava levemente o dedo quando queria demarcar uma letra, e assim até formar frases.
Poucos semanas depois, no entanto, Vincent pede à mãe para morrer. No início Marie Humbert recusa a escutar o filho, mas a insistência do jovem é tamanha que ela acaba concordando em ajudá-lo.
Vincent escreve, então, através da mãe, uma carta ao presidente da República da época, Jacques Chirac, pedindo autorização para a eutanásia. O drama ganha a mídia francesa com toda a força, mas Chirac nega o pedido.
Marie decide ajudar pessoalmente o filho, mesmo contra a lei. Ela lhe injeta uma dose forte de pentobarbital de sódio e Vincent entra em coma. Os médicos, no entanto, reanimam o paciente, alegando a ilegalidade do ato de Marie, que é detida.
Dois dias depois, um dos médicos, Dr. Frédéric Chaussoy, volta atrás e concorda em injetar uma dose mortal de clorato de potássio. Desde então, Marie se transforma em ativista pela legalização da eutanásia e já publicou dois livros - o primeiro deles em parceria com o filho doente.
Mais recentemente, em setembro do ano passado, a atriz francesa Maia Simon foi à Suíça para poder realizar eutanásia em conformidade com a lei. Ela sofria de câncer terminal e tomou ela própria os comprimidos prescritos por um médico suíço, após mais de um ano de luta fracassada para cometer o suicídio assistido em seu próprio país.
Dois meses depois de Maia, em novembro, foi a vez de Margueritte Messein, uma idosa parisiense de 83 anos, partir à Suíça para pôr fim ao sofrimento causado por sucessivos cânceres desde 1982. Ela recorreu à mesma associação Dignitas que Maia havia procurado. Segundo a entidade, Margueritte foi a 18ª paciente de nacionalidade francesa a cometer eutanásia através da Dignitas.
- Redação Terra


Assista agora »
Assista agora »
