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Socialistas vencem eleições na Espanha

09 de março de 2008 18h51 atualizado às 23h43

Zapatero comemora com partidários. Foto: AFP

Zapatero comemora com partidários
Foto: AFP

O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) de José Luis Rodríguez Zapatero obteve neste domingo uma "clara vitória" nas eleições legislativas espanholas sobre o conservador Partido Popular (PP), que apesar da derrota aumentou seu número de deputados na Câmara.

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O PSOE garantiu 169 cadeiras no Congresso (de um total de 350), enquanto o Partido Popular (PP) ficou com 153 vagas. O Partido Nacionalista Basco ficou com seis; a Esquerda Republicana da Catalunha, três; Esquerda Unida, Bloco Nacionalista Galego e Coalizão Canária dois cada; e UPeD e Nafarroa Bai, um cada.

Com esses resultados, o PSOE ganha cinco cadeiras a mais que as 164 obtidas no pleito de 2004.

Dessa forma, o partido socialista encerra o processo eleitoral apenas com uma maioria relativa, o que obrigará Zapatero a estabelecer acordos com outras formações políticas para governar.

Para isso, os socialistas podem recorrer aos nacionalistas catalãos do CiU, que elegeram 11 parlamentares, além dos bascos do PNV, que por sua vez perderam uma cadeira, ficando com seis deputados.

"Os espanhóis falaram com clareza e decidiram começar uma nova etapa sem crispação, que exclui a confrontação", declarou o presidente do governo espanhol, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero, referindo-se ao ambiente político dos últimos quatro anos.

"Governarei aprofundando as coisas que temos feito bem e corrigindo os erros", disse Zapatero a partidários reunidos na sede madrilenha do PSOE.

O candidato do Partido Popular (PP, conservador), Mariano Rajoy, reconheceu a vitória do adversário, mas destacou os excelentes resultados de sua formação, que obteve "mais votos do que nunca".

Ao todo, 35 milhões de espanhóis foram convocados a votar neste domingo. O pleito serviu para renovar as 350 cadeiras da Câmara dos Deputados, além de 208 das 264 vagas do Senado, em um clima de luto após o assassinato na última sexta-feira do ex-vereador socialista Isaías Carrasco, de 42 anos, em Mondragón (País Basco), em atentado atribuído à organização separatista basca ETA.

A participação foi de 75,32%, percentual de eleitores ligeiramente menor em relação àquele que compareceu às urnas em 2004 (75,66%).

A grande perdedora foi a coalizão ecocomunista Esquerda Unida (IU), que perdeu três das cinco cadeiras que tinha no Congresso, prejudicada pelo chamado "voto útil" dos eleitores de esquerda, que preferiram apoiar o PSOE para impedir uma vitória do PP.

Seu líder, Gaspar Llamazares, assumiu a derrota como pessoal e informou que não se apresentará ao cargo na próxima assembléia da formação.

Além da IU, a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), que na última legislatura apoiou os socialistas no Congresso em algumas situações, perdeu cinco dos oito deputados conseguidos em 2004.

No País Basco, onde a organização armada basca e dois partidos separatistas que não foram autorizados a concorrer fizeram campanha pela abstenção, o não comparecimento foi registrado em 35%, 10% a mais que em 2004. As formações foram impedidas de lançar candidatos devido a suas ligações com o Batasuna, braço político do ETA.

No entanto, após o assassinato de Carrasco, todos os partidos políticos mudaram o discurso e passaram a pedir que as pessoas fossem votar. Por causa do atentado, os partidos políticos suspenderam a campanha eleitoral - em 2004, por causa dos atentados terroristas que em 11 de março deixaram 191 mortos em trens e estações ferroviárias de Madri, houve movimento semelhante, o que colaborou para a vitória dos socialistas três dias depois da tragédia.

Desta vez, o PSOE venceu as eleições apesar da vantagem atribuída ao PP nas pesquisas de intenção de voto. Em 2004, havia um contexto de grande mobilização contra o governo conservador por ter enviado tropas ao Iraque.

Na época, o executivo de José María Aznar atribuiu os atentados ao ETA, mesmo com a aparição dos primeiros indícios de que se tratava da ação de uma célula terrorista islâmica ligada à Al-Qaeda.

AFP
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