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Presidente Chávez diz que é hora de parar a crise na América Latina

07 de março de 2008 16h39 atualizado às 18h57

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse hoje que "estamos em tempo de deter algo da qual poderíamos nos arrepender", durante discurso na cúpula do Grupo do Rio, que aborda a crise diplomática envolvendo Venezuela, Equador e Colômbia.

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"É hora de reflexões e ações, estamos em tempo de deter o turbilhão do qual poderíamos nos arrepender, e não apenas nós mas nossos povos, filhos e comunidades, não sabemos durante quanto tempo", prosseguiu, pedindo a "busca de uma saída racional", para a crise.

Segundo Chávez, por trás do conflito armado na Colômbia "está o governo dos Estados Unidos e o belicismo do império". Defendeu-se das acusações contra ele feitas pelo governo colombiano, com base em supostos documentos contidos num computador apreendido de um guerrilheiro morto, Raúl Reyes.

"O presidente Uribe não deve se preocupar se Chávez está mandando dólares ou armas para as Farc. Não vou fazê-lo, nunca o fiz, porque quero a paz", enfatizou.

"Vi planos de guerra (da guerrilha) e são inviáveis, a menos que queiram passar 100 anos se matando", destacou. Antes deste pronunciamento, o presidente da Venezuela pediu aos membros do Grupo do Rio que "esfriem nervos e mentes" para avançar na solução da crise regional.

"É preciso esfriar nervos e mentes para poder avançar e encontrar soluções", declarou Chávez à imprensa minutos antes da abertura da XX Cúpula do Grupo do Rio, realizada em Santo Domingo.

"É uma guerra que está se internacionalizando. Por isso, é preciso incentivar todas as partes à reflexão. Existem duas opções: a guerra ou a paz", afirmou.

Equador e Colômbia cortaram relações diplomáticas terça-feira, depois da operação conduzida sábado passado pelo exército colombiano contra um acampamento da guerrilha das Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano.

Vinte e três pessoas, entre elas o número dois das Farc, Rúl Reyes, morreram durante a operação. O Equador e a Venezuela enviaram tropas às fronteiras com a Colômbia, mas Bogotá descartou, por enquanto, fazer o mesmo.

Chávez aproveitou para apresentar hoje, na reunião do Grupo do Rio na República Dominicana, provas de vida de seis reféns em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

"Nos chegaram provas de vida de seis novos cidadãos colombianos nas mãos da guerrilha de militares e policiais", disse o presidente durante a reunião.

Por um momento foi mostrado um vídeo com as provas de vida, mas falhas técnicas impediram que todas as imagens fossem apresentadas. "Presidente (Alvaro) Uribe, permita que eu vá buscar essas pessoas e permita a um grupo de países (...) trabalhar em uma troca humanitária", disse Chávez, dirigindo-se ao presidente da Colômbia.

Desde agosto de 2007, Chávez realiza gestões e contatos com as Farc, que em janeiro e fevereiro entregaram seis reféns em duas operações na selva colombiana a delegados do governo venezuelano e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Reiterou o apelo a formar un grupo de países amigos para conseguir uma troca humanitária de 40 reféns políticos em poder das Farc por 500 rebeldes presos.

Chávez disse que o presidente da França, Nicolas Sarkozy, está disposto a participar, junto com Argentina, Equador, Suíça e Itália, além do secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA). Chávez disse também que a Organização das Nações Unidas (ONU) "poderia enviar um alto representante, além do Brasil e da Bolívia".

AFP
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