Ataque às Farc impediu libertação de Betancourt, diz Correa

03 de março de 2008 • 23h35 • atualizado em 04 de março de 2008 às 01h49

O presidente Rafael Correa afirmou nesta segunda-feira que o ataque colombiano contra um acampamento das Farc no Equador frustrou a libertação da fraco-colombiana Ingrid Betancourt e de outros dez reféns da guerrilha, que deveria ocorrer em março no território equatoriano.

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"Lamento informar que as conversações estavam bastante avançadas para libertar no Equador onze reféns, entre eles (a ex-candidata presidencial) Ingrid Betancourt", disse Correa em uma mensagem à Nação, na qual justificou a ruptura das relações com Bogotá.

"Tudo foi frustrado pelas mãos belicistas e autoritárias. Não podemos descartar que esta foi uma das motivações da incursão (colombiana) por parte dos inimigos da paz", afirmou Correa.

O ministro equatoriano da Segurança Interna e Externa, Gustavo Larrea, garantiu que as Farc "ofereceram a libertação" de Betancourt para março.

Larrea admitiu hoje que se reuniu em janeiro passado com o número dois das Farc, Raúl Reyes, que foi morto no sábado passado no território do Equador, no ataque das forças colombianas.

"Esta reunião se desenrolou no mês de janeiro, fora da Colômbia e fora do Equador, e falamos exclusivamente do tema dos reféns" das Farc, garantiu Larrea a um site equatoriano.

Correa confirmou que "todos os nossos contatos com a guerrilha tiveram motivos humanitários e ocorreram junto com um país como a França. Será que alguém vai acusar o presidente (Nicolas) Sarkozy de apoiar as Farc?".

Segundo Correa, "agora tratam de dizer que estamos colaborando com a guerrilha. Esta atitude só pode ser qualificada de canalhice".

Na mesma mensagem à Nação, Rafael Correa pediu aos "governos da América Latina que cerrem fileiras diante do nefasto e traidor ato da Colômbia" contra as Farc no território equatoriano.

"Nem nas horas mais duras da América Latina, nem com as guerrilhas na Nicarágua, El Salvador, Guatemala, Peru, Brasil, Argentina, Uruguai e etc., um governo se atreveu a regionalizar seu conflito", disse o presidente.

Correa justificou o rompimento das relações com o governo colombiano destacando que "longe de pedir desculpas pela agressão à nossa soberania, tiveram a audácia de nos acusar de proteger as Farc e a nos pedir explicações".

"Estendemos a mão solidária à Colômbia, mas fomos traídos. Sabemos que não foi a traição de um povo, mas apenas a traição de um homem, um governo".

Rafael Correa iniciará na terça-feira uma viagem que o levará a Peru, Brasil, Panamá, República Dominicana e Venezuela para obter apoio internacional diante da crise com a Colômbia.

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