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Entenda o conflito Equador, Colômbia e Venezuela

03 de março de 2008 07h24 atualizado às 19h02

A conflituosa relação entre Equador e Colômbia passa atualmente pelo pior momento, no qual a boa vizinhança entre os dois países está por um fio após a incursão armada colombiana contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano. O bombardeio de uma base clandestina rebelde, na madrugada de sábado na zona equatoriana de Angostura, a cerca de 3 km da divisa, e a incursão de tropas colombianas para recolher os corpos de dois líderes guerrilheiros provocaram um delicado atrito diplomático.

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A operação levou à morte o considerado "número dois" das Farc, Raúl Reyes, e outros 19 guerrilheiros. Reyes era um dos sete integrantes do secretariado das Farc e nos último anos se converteu no líder mais em evidência do grupo rebelde formado por aproximadamente 17 mil combatentes. O governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, apresentou desculpas ao do chefe de Estado equatoriano, Rafael Correa, devido à incursão de "helicópteros colombianos" e militares no país vizinho, para verificar a operação militar e levar os cadáveres de Reyes e de Julián Conrado.

Essa desculpa causou a reação imediata de Correa, que criticou Uribe em mensagem televisionada à nação, afirmando que a Colômbia bombardeou seu território e que "massacrou" o grupo de guerrilheiros enquanto dormiam. Correa retirou seu embaixador em Bogotá, Francisco Suéscum, e ordenou a expulsão do embaixador colombiano em Quito, Carlos Holguín, além de ter ordenado o reforço militar da fronteira.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, inimigo declarado de Alvaro Uribe, também ordenou o fechamento da embaixada da Venezuela em Bogotá e a mobilização de tropas rumo à fronteira comum para reforçar sua vigilância em "apoio" ao Equador.

Quase simultaneamente, o diretor da polícia colombiana, Oscar Naranjo, anunciava que tinha documentos apreendidos dos rebeldes na operação militar que confirmavam "compromissos" do Governo de Correa com as Farc. Essa informação foi desmentida quase imediatamente por Quito, que considerou essa acusação uma tentativa de esconder a "flagrante violação" da soberania equatoriana.

Antecedentes
Esse tipo de desavença - embora agora pareça ter ultrapassado a tolerância dos dois países - já ocorreu antes, em menor escala. Para a chanceler equatoriana, María Isabel Salvador, esse fato mais recente é o mais grave, mas também lhe preocupa que a Colômbia não tenha dado respostas satisfatórias a outros incidentes passados, alguns deles admitidos pelo governo de Bogotá.

A queda de uma granada de morteiro em um povoado equatoriano, a morte de um comerciante da mesma nacionalidade na ponte internacional que liga os dois países por militares colombianos e o vôo de helicópteros artilhados da Colômbia em áreas do Equador fazem parte desse histórico. Além disso, o Equador também estuda abrir um processo contra a Colômbia na Corte Internacional de Justiça, pelo uso do herbicida "glifosato" nas fumigações aéreas de combate às drogas na divisa entre os dois países.

Segundo o Equador, o glifosato não só destruiu plantações de coca e papoula no lado colombiano, mas, levado pelo vento, causou "danos irreparáveis" a povoações e ao meio ambiente do lado equatoriano. Na lista de reivindicações, também estão alguns conflitos comerciais que causaram momentos de tensão entre os dois países.

EFE
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