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Polícia diz que ex-modelo morreu afogada em Paris

29 de fevereiro de 2008 10h18 atualizado às 14h37

A ex-top model Katoucha Niane, cujo corpo foi encontrado no rio Sena na quinta-feira, morreu afogada e não havia sinais de que ela tenha sofrido qualquer tipo de violência, disse a polícia hoje. De acordo com uma fonte próxima à investigação, a polícia acredita que ela morreu acidentalmente.

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"Ela caiu na água e foi direto para o fundo", disse a fonte. Katoucha, 47 anos, original da Guiné, desapareceu em 31 de janeiro, após voltar de uma festa para o barco onde vivia, atracado perto do centro da cidade. A bolsa da modelo foi encontrada diante da porta do barco semanas antes de seu corpo ter sido visto no rio, perto da periferia de Paris. O exame concluiu que a modelo morreu "por submersão rápida e sem sinais de violência". Durante a investigação, foram realizados novos exames complementares de rotina.

Katoucha desapareceu misteriosamente depois de uma festa a que foi acompanhada por um amigo ao local que residia, em Paris - uma barcaça transformada em residência e ancorada próximo à ponte Alexander III, no rio Sena. A ex-modelo, uma das rainhas negras da passarela da alta-costura nos anos 80 e militante do combate contra a mutilação sexual das meninas, foi estrela da grife Yves Saint Laurent.

Filha do escritor e historiador Djibril Tamsir Niane, Katoucha nasceu em 1960 em Conakry (Guiné). Sua mãe a obrigou a sofrer mutilação genital aos nove anos.

Na França, começou a carreira de modelo na casa Thierry Mugler. Abandonou as passarelas em 1994 e criou uma pequena casa de prêt-à-porter, sem jamais se afastar de seu estilista favorito - em 1998 desfilou com outras 300 modelos na retrospectiva de Yves Saint Laurent apresentada no Estádio da França.

Katoucha Niane foi a modelo estrela de Yves Saint Laurent, que "gostava muito dela", recordou Dominique Deroche, assessora de imprensa da fundação do estilista. "Era exatamente como um desenho Yves Saint Laurent, a cabeça orgulhosamente erguida, o pescoço longo, muito magra, mas com belos ombros, feita para a alta-costura. Desfilava magnificamente e exibia modelos emblemáticos das coleções, com o vestido cubista azul marinho adornado com pombas em torno do pescoço", acrescentou Deroche.

Amável e espontânea, Katoucha abandonou as passarelas em 1994 e criou uma pequena grife de prêt-à-porter. Sem se afastar jamais de seu estilista favorito, em 1998, desfilou com outras 300 modelos na retrospectiva de Yves Saint Laurent apresentada no Stade de France.

Sua vida mudou radicalmente aos 9 anos, quando sua mãe a obrigou a realizar uma mutilação genital).

"Vivíamos em Conakry, a vida era ótima. Um dia, mamãe me disse que íamos ao cinema e virei vítima de um filme de terror. Um traumatismo enorme do qual nunca havia conseguido falar antes de encontrar o amor e escrever meu livro 'Em minha carne'".

Mãe de três filhos, Katoucha transformou seu trauma numa forma de luta e se dedicou à associação que criou para combater a prática de mutilação genital.

Reuters
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