Reprodução do site do jornal cubano Gramma com a mensagem de Fidel Castro |
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Em carta publicada hoje pelo diário oficial Granma, Fidel assegurou: "comunico que não aspirarei nem aceitarei; repito, não aspirarei e nem aceitarei, os cargos de presidente do Conselho de Estado e comandante-em-chefe", disse.
Raúl Castro, 76 anos, permanece no cargo embasado no artigo 94 da Constituição cubana - sobre a substituição em caso de morte, doença ou ausência do titular.
Último líder histórico do comunismo, Fidel, 81 anos, anunciou a renúncia após quase 19 meses de convalescença de uma grave doença - de origem intestinal -, que o levou a ceder o comando do país em caráter provisório ao irmão Raúl, ministro da Defesa de 76 anos.
Fidel anunciou a renúncia a cinco dias da sessão do Parlamento na qual deveria ser candidato à reeleição para um mandato presidencial de cinco anos.
Com sua renúncia, deixa o caminho livre para Raúl ser eleito presidente do Conselho de Estado, sem que se descarte uma eventual surpresa como o vice-presidente Carlos Lage, 56 anos, o que levaria ao poder uma nova geração.
"Felizmente nosso processo ainda conta com quadros da velha guarda, junto a outros que eram muito jovens quando se iniciou a primeira etapa da revolução", destacou Fidel Castro.
"Contam com a autoridade e a experiência para garantir a substituição. Dispõe igualmente nosso processo da geração intermediária que aprendeu junto a nós os elementos da complexa e quase inacessível arte de organizar e dirigir uma revolução", acrescentou.
Em dezembro do ano passado, o comandante cubano havia expressado em uma mensagem escrita que não estava aferrado ao poder, nem obstruiria a passagem das novas gerações, mas em janeiro foi eleito deputado e ficou tecnicamente habilitado para uma reeleição no próximo domingo.
"Trairia (...) minha consciência ocupar uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total que não estou em condições físicas de oferecer. Explico isto sem dramaticidade", completou na carta de segunda-feira.
Desde março de 2007, afastado do cenário público, sendo visto apenas em vídeos e fotos, Fidel Castro se dedicava a escrever artigos para a imprensa sob o título de "Reflexões do Comandante-em-Chefe".
"Não me despeço de vocês. Desejo apenas combater como um soldado das idéias. Seguirei escrevendo sob o título 'Reflexões do companheiro Fidel'. Será uma arma a mais do arsenal com a qual se poderá contar. Talvez minha voz seja ouvida. Serei cuidadoso".
Fidel advertiu aos cubanos que "o caminho sempre será difícil e requererá o esforço inteligente de todos". "Desconfio dos caminhos aparentemente fáceis da apologética, ou a autoflagelação como antítese".
"Preparar-se sempre para a pior das variantes. Ser tão prudentes no êxito como firmes na adversidade é um princípio que não pode ser esquecido. O adversário a derrotar é extremamente forte, mas o temos mantido na raia durante meio século", expressou.
Na mensagem, o líder ditatorial destaca que nunca deixou de lembrar que seguia uma recuperação "não isenta de riscos". "Meu desejo sempre foi cumprir o dever até o último alento. É o que posso oferecer", ressaltou.
Desde sua primeira operação em 27 de julho de 2006, o dirigente comunista luta contra a morte, abalado pela idade e uma saúde não muito forte. Na noite de 31 de julho de 2006, Fidel Castro surpreendeu Cuba e o mundo com o anúncio de que cedia o poder ao irmão Raúl, em caráter provisório, depois de sofrer hemorragias.
Sem informar até o momento qual doença o afeta, Fidel admitiu que esteve à beira da morte. Perdeu quase 20 quilos nos primeiros 34 dias de crise, passou por várias cirurgias e dependeu por muitos meses de cateteres.
"Recordista mundial" em tempo de poder, Fidel Castro é o único líder que 70% dos cubanos conheceram, mas sua doença e agora renúncia abrem enormes dúvidas sobre o futuro da ilha.
Com agências internacionais
Redação Terra